A família de Zé Eduardo Nazário sempre foi muito ligada à cultura e às artes: "Meu pai era jornalista, filósofo e escritor. Era amigo dos maiores artistas brasileiros, como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Guerra Peixe, Oswald de Andrade e Raquel de Queiroz. Minha mãe adorava ouvir música, o que me proporcionou ser criado num riquíssimo ambiente cultural, dentro do lar onde nasci e cresci, e que foi fundamental para meu desenvolvimento como ser humano. Por conseqüência, deu-me todas as condições para me tornar músico."
Algumas de suas lembranças musicais mais antigas são ouvir rádio e assistir aos programas musicais na televisão, como os de Ary Barroso, Luiz Gonzaga e a orquestra de Simonetti no Clube dos Artistas da TV Tupi.
Zé Eduardo Nazário recorda-se, também, dos discos de música popular e erudita, e depois, de bossa nova e jazz, e ainda dos musicais modernos do início da década de 1960, nas TVs Record, Excelsior e Tupi.
Nazário começou a tocar no início da década de 1960. Estudou, inicialmente, piano clássico, com a professora Iria Lacerda. Nas aulas, estudavam peças simples para iniciantes, leitura musical, teoria e solfejo.
Para ele, o estudo do piano foi importante como um primeiro contato com a música e a leitura musical, "ainda que não fosse aquele o meu caminho. Meu objetivo era a música moderna, contemporânea, tanto a brasileira, que vivia naquela época um período criativo de grande intensidade, como o jazz que, desde os dez anos de idade, já ouvia e apreciava."
Zé Eduardo Nazário começou a tocar bateria aos 12 anos.
Uma das figuras decisivas em sua formação musical foi seu primo Manini, que tocava percussão e era colega de faculdade de Chico Buarque e dos músicos do MPB-4. "Por intermédio dele, conheci os primeiros discos de bossa nova e jazz."
O autodidatismo esteve muito presente na formação musical de Zé Eduardo Nazário. "Na época em que surgia meu interesse pela bateria, não havia muito o que se pudesse aprender em escolas no Brasil. "Mesmo numa cidade como São Paulo, raros eram os métodos à disposição, mesmo importados, então tínhamos que 'quebrar a cabeça' sozinhos, com a ajuda de outros colegas músicos, ouvindo discos e indo a shows para ver os mais experientes tocar, e mostrar algum talento para poder ser convidado para trabalhos. Era a maneira de se inserir no mercado e poder continuar a evoluir."
Zé Eduardo Nazário considera importantes todos os inúmeros músicos com quem conviveu: "Sempre procurei observar as qualidades e os defeitos de cada um, e tentar utilizar essa observação para minha vida. Com cada um deles foi possível aprender algo valioso."