Forma��o
O bisavô de Wilfried Berk era maestro. Seus pais, nascidos na Alemanha, abriram os ouvidos do filho para a música clássica.
“Minha mãe cantava, comigo e meus irmãos, canções de ninar e natalinas, e era poetiza também. Eu costumava viver pregado à radiola lá de casa ouvindo gravações de grandes maestros, como Furtwängler, Bruno Walter e Toscanini, regendo sinfonias e óperas, e de cantores famosos em ciclos das canções (lieder) de Franz Schubert, etc.
E era ouvinte assíduo do programa de auditório ‘Calouros em Desfile’, de Ary Barroso. Lembro-me, até, de uma anedota daquela época: um dos candidatos (que eram acompanhados pelo regional de Canhoto, com Abel Ferreira na clarineta, entre outras feras) anunciou que ia cantar ‘Aquarela do Brasil’. Aí, Ary Barroso perguntou quem era o autor da música: ‘Ah, num sei não senhor’. Ary disse: ‘Então você se senta aí nessa cadeira e quando lembrar o nome do compositor você me fala’... Outro ponto alto na minha infância foi uma récita a que assisti no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, de uma ópera russa em que predominam os motivos líricos, chamada ‘Khovantchina’, de Mussorgsky (inacabada, terminada por Rimsky-Korsakov). Daí, decidi fazer música.”
Esta decisão foi tomada aos 12 anos de idade, quando Wilfried Berk começou a estudar flauta doce.
“Depois, passei para a clarineta, influenciado pelo músico ‘en vogue’naquela época, Benny Goodman. Estudei com o professor Jayoleno dos Santos, falecido em 2007. Ele foi de grande importância, a ele devo o rumo que tomei, o de me tornar profissional da música.”
Além dos muitos choros que estudava, Wilfried utilizou o "Método para Clarinete" (Editorial Tico), de H. Klosé, então indicado pelo Conservatório de Paris, “e estudos de Paul Jeanjean, Ernesto Cavallini, Agostino Gabucci, Périer, Rose e Magnani...”
“Eu frequentava os ‘Concertos para a Juventude’, da Orquestra Sinfônica Brasileira, aos domingos de manhã no Theatro Municipal. Mais tarde, participei da Orquestra, como solista, cinco vezes, tocando o Concerto de Mozart duas vezes, com Eleazar de Carvalho regendo, e os Concertos de Weber, com Alceo Bocchino e Jayoleno dos Santos, e de Stamitz, com Rafael Baptista.”
Para Wilfried, de seu aprendizado, o que ficou de mais útil e agradável foi “o prazer de fazer música, o interesse pela inovação, o amor pela música”.
“Além do mestre e amigo Jayoleno, tive muito incentivo por parte de Mariuccia Iacovino, Arnaldo Estrela, maestro Nelson Hack, Mindinha Villa-Lobos e Cláudio Santoro, entre outros mais.”
Entre os músicos com quem conviveu e convive, Wilfried cita aqueles que considera como os mais importantes para o músico que ele se tornou:
“A Jayoleno dos Santos e Cláudio Santoro devo o respeito pela partitura, a autenticidade dos estilos, a honestidade na interpretação. Com o violonista Augusto Duarte, meu mentor no choro e companheiro de choradas, compartilho a paixão e a dedicação ao choro. Ao oboísta e clarinetista Paolo Nardi me une uma longa amizade, desde 1955. Hoje, ele vive na Toscana com a clarinetista Anita Garriott, ambos ex-integrantes e solistas principais da Orquestra do Maggio Musicale Fiorentino (Orquestra da Ópera de Florença/Itália).”