Formação
A família de Wagner Tiso é descendente dos povos que habitavam as margens do rio Tisa, que atravessava todo o leste europeu e desaguava no Danúbio, em Belgrado.
“A música da minha família tem a influência desta região, tanto da música popular cigana, quanto dos inúmeros compositores eruditos que ali desenvolveram um estilo inconfundível."
"As coisas mais antigas de que me lembro são as reuniões musicais na sala de meu avô, nas quais todos tocavam acordeon, piano, pandeiros e violinos. Lembro, também, das excursões que minha família fazia, tocando nas praças públicas das cidades do interior de Minas. Quando estive em Zagreb, Croácia, anos depois, vi as pessoas fazendo a mesma coisa que minha família fazia. Foi tanta emoção que compus uma música chamada "Zagreb", gravada no meu primeiro disco solo, em 1977." ("Wagner Tiso", EMI-Odeon, LP/1978, CDs 1994 e 2002)
Wagner Tiso começou a tocar muito cedo, aos quatro anos de idade, ouvindo a mãe, o irmão e os primos mais velhos.
"Estudei muito rudimentarmente com minha mãe, mas não gostava de estudar aqueles métodos, tipo Czerny e Hanon. Gostava de inventar
acordes e ritmos diferentes. Por isso a minha aproximação tão natural com Milton Nascimento (Bituca), que era meu vizinho. Logo cedo, começamos a inventar coisas diferentes do que se tocava na região e a influenciar os músicos da cidade."
Apesar de não gostar de estudar nos métodos citados, Wagner se lembra de gostar e de achar muito bonitos os Estudos e os Noturnos de Fryderyck Chopin, mas ressalta que o mais agradável e útil em seu aprendizado foi aquilo que pesquisou – e aprendeu – fora dos métodos pré-estabelecidos e o contato com as pessoas que foram importantes em sua formação, como, ainda em Três Pontas, "minha mãe, meus primos e irmãos, sem contar meus companheiros de baile. Em Belo Horizonte, a turma que tocava jazz e bossa nova, como Nivaldo Ornelas, Helvius Vilela e muitos outros. No Rio de Janeiro, os músicos da noite, as orquestras de baile e dos dancings e, principalmente, Paulo Moura - que me convenceu que eu era um arranjador e orquestrador nato – e, claro, Heitor Villa-Lobos, que escutei desde menino. Foram tão distintas as influências, que acabaram por moldar em mim um conceito livre de música. Música sem fronteiras."
"Na década de 1950, a gente aprendia e pesquisava ouvindo mal e porcamente as rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. Era uma época em que as rádios pegavam muito mal, mas a gente tinha que perseverar porque as estradas eram todas de terra e viajar era inviável. Então, nosso único elo com a música profissional era através das rádios e do cinema, o que muito me influenciou."
Entre os músicos com quem conviveu e convive e que foram importantes em sua vida, Wagner Tiso destaca Milton Nascimento, os músicos de baile de sua região, os jazzistas de Belo Horizonte, Paulo Moura e, também, Agostinho dos Santos, Johnny Alf, "os fantásticos músicos da noite do Rio de Janeiro desta época", os maestros Lindolpho Gaya e Lyrio Panicalli, Moacir Santos "e os meninos do Clube da Esquina, principalmente Toninho Horta. "Aprendi tudo com eles."