Formação
O pai de Thiago de Mello tocava violão "para impressionar minha mãe; assim, como resultado, além de outros méritos, se casou com ela."
Entre as lembranças musicais mais remotas de Thiago estão "os hinos evangélicos da primeira Igreja Batista de Manaus, juntamente com as peças de J. S. Bach, Mozart, Vivaldi e Debussy tocadas pela minha irmã mais velha ao piano todos os sábados em nosso lar. Isso entre os clássicos. Mais tarde, Villa-Lobos, Carlos Gomes e, entre os populares brasileiros, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Noel Rosa, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Moacir Santos, Luiz Bonfá, etc. Também Louis Armstrong, Nat King Cole, Miles Davis, George Gershwin, Oscar Peterson, Bill Evans, Gil Evans, Frank Sinatra, Tony Bennet, e muitos outros."
Caso raro entre os músicos em geral, Thiago de Mello começou a estudar e a se dedicar definitivamente à música "aos 33 anos, aqui em Nova York, onde moro há 42 anos."
Antes de dedicar-se à música, Thiago de Mello estudou Arquitetura e foi técnico diplomado de futebol. Como tal, trabalhou no Uberaba Clube, em Minas Gerais, e no Botafogo do Rio de Janeiro, com o qual sagrou-se campeão no Torneio Gomes Pedrosa (Rio – São Paulo) em 1962, treinando um time que contava, entre outros craques, com Mané Garrincha, Nilton Santos e Didi. Quando decidiu-se a ir embora do Brasil, Thiago foi para a Colômbia no final de 1962, onde trabalhou no Deportivo Cali e, mais tarde, no Unión Magdalena. Em seguida, foi para Nova York trabalhar no New York Generals, depois N. Y. Cosmos, time no qual Pelé jogou antes de encerrar sua carreira.
Em Nova York, onde iniciou seus estudos e sua carreira musical, Thiago teve aulas particulares com Richard Kimball, professor da Juilliard School e da Manhattan School of Music, além de ter tido vários outros professores de violão clássico, também em aulas particulares.
"Houve um guitarrista no Rio de Janeiro, onde passei as férias em 1965, com quem estudei bossa nova. Ele tinha somente quatro dedos na mão esquerda devido a um acidente. Mas tocava mais com o coração do que com os dedos!"
Entre os vários métodos nos quais estudou, Thiago destaca o de Matteo Carcassi (“Novo Método de Violão - Opus 59”, Ed. Irmãos Vitale) e os Prelúdios de Bach e de Villa-Lobos.
De seus estudos, o que ficou para Thiago de mais útil e agradável foi "tudo o que a gente aprecia, tenta estudar e gravar na mente. Tenho meu próprio método, que uso nas minhas Masters Classes pelo mundo afora - inclusive no Brasil - cujo título é 'A Difícil Arte de se Fazer Arte'."
Entre os muitos músicos que foram decisivos em sua formação musical, Thiago destaca Richard Kimball, Llew Matthews, Gil Evans e Haroldo Mauro Jr..
Como autodidata, Thiago desenvolveu uma técnica própria de percussão, utilizando elementos da natureza na construção dos instrumentos que, além de seu violão, toca em suas gravações. (ver O INSTRUMENTISTA)
Os músicos com quem Thiago conviveu e convive e que foram importantes na troca de experiências e em seu desenvolvimento musical também são inúmeros. Aqui, o compositor, violonista e percussionista destaca alguns deles:
"Mantive amizade e dividi mutuamente conhecimentos aqui em NY com os seguintes músicos brasileiros: Sivuca, Moacir Santos, Paulo Moura - com quem gravei no meu primeiro CD, em 1973, juntamente com Airto Moreira, Cláudio Roditi e Dom Salvador, entre outros ("Amazon", JSR, LP/1973, CD/1999). Paulo Moura participou de meu CD "Bem Brasileiro - Com Alguns Sotaques" (2005), lançado pela Ethos Brasil, do Rio de Janeiro, no qual estão grandes nomes da música popular brasileira.
Ademais, aqui em NY, tocaram em minha banda Amazon, músicos como Romero Lubambo, Nilson Matta, Paulinho Braga, Haroldo Mauro Jr., Vanderlei Pereira. Entre os norte-americanos, Llew Mathews, Cliff Korman, Dario Ezquenazy, Paquito d'Rivera, Dennis Erwin, Richard Davis, Conrad Herwig, David Finck e muitos outros."