Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores e coureiros. Vivendo na área rural de Itabaiana, numa localidade pobre e remota, sem rádio nem eletricidade, o próprio Sivuca não sabe explicar como a música entrou em sua vida. Ninguém na família tocava qualquer instrumento.
“Eu não sei. Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência. Quero dizer, a música veio pra ficar em mim, pronto.
“(...) num dia de Santo Antônio, era 13 de junho de 1939, quando meu pai trouxe pra meu irmão uma sanfona de 2 baixos, um pote cheio de mangaba e um filhote de gato no bolso do casaco. Era uma terça-feira. Aí eu comecei a tocar e não larguei mais.”
A primeira música que executou na sanfoninha foi “Jardineira”, sucesso do carnaval carioca de 1939, escrita por Benedito Lacerda e Humberto Porto.
Suas primeiras memórias musicais vêm dos sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana, de pessoas que tocavam violão na cidade, da banda de música e do órgão da igreja.
E os primeiros estudos aconteceram na banda da cidade:
“Eu fazia muita serenata com a sanfona. Fui estudar música na União de Artistas e Operários e o mestre da banda me deu uma requinta pra eu estudar. Eu levei a requinta pra casa. Aprendi a primeira escala e decorei algumas músicas românticas pra fazer serenata pela rua. Ele soube que eu andava fazendo serenata com a requinta e a tomou.”
Seu talento era evidente, a ponto de que a própria família passasse a insistir que fosse tentar carreira na cidade grande. Depois de algumas idas e vindas, mudou-se para Recife, foi contratado pela Rádio Clube de Pernambuco aos 15 anos de idade, em novembro de 1945, e descobriu um novo horizonte musical.
“(...) foi lá que eu vi pela primeira vez uma orquestra grande, com cordas. Assisti ao primeiro concerto sinfônico lá no Teatro Santa Isabel, com a orquestra Sinfônica de Recife tocando a 5ª Sinfonia de Beethoven. Aquilo pra mim foi um abrir portas pra um mundo musical que eu realmente desconhecia.”
Sivuca aprendeu teoria musical com o clarinetista da sinfônica e, três anos depois, passou a estudar harmonia e orquestração com o maestro fluminense Guerra-Peixe, que então vivia em Recife.
Ao longo da vida profissional, foi incorporando outros instrumentos ao seu arsenal, como o violão, a guitarra e o piano, numa mistura de autodidatismo e aprendizado informal com alguns dos melhores músicos do mundo.
“O estudo, o desenvolvimento musical torna-se necessário. Eu digo isso porque eu também passei pelo mesmo; fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente levando a sério todas as tendências, mas também me dando ao trabalho de queimar pestana e estudar teoria musical, estudar orquestração e, enfim, harmonia, fuga, contraponto, me preparar pra lidar com os ingredientes teoricamente.”