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Sivuca
Severino Dias de Oliveira
* 26/05/1930 Itabaiana, PB, Brasil.
† 14/12/2006 João Pessoa, PB, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores e coureiros. Vivendo na área rural de Itabaiana, numa localidade pobre e remota, sem rádio nem eletricidade, o próprio Sivuca não sabe explicar como a música entrou em sua vida. Ninguém na família tocava qualquer instrumento.

Eu não sei. Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência. Quero dizer, a música veio pra ficar em mim, pronto.

(...) num dia de Santo Antônio, era 13 de junho de 1939, quando meu pai trouxe pra meu irmão uma sanfona de 2 baixos, um pote cheio de mangaba e um filhote de gato no bolso do casaco. Era uma terça-feira. Aí eu comecei a tocar e não larguei mais.

A primeira música que executou na sanfoninha foi “Jardineira”, sucesso do carnaval carioca de 1939, escrita por Benedito Lacerda e Humberto Porto.

Suas primeiras memórias musicais vêm dos sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana, de pessoas que tocavam violão na cidade, da banda de música e do órgão da igreja.

E os primeiros estudos aconteceram na banda da cidade:

Eu fazia muita serenata com a sanfona. Fui estudar música na União de Artistas e Operários e o mestre da banda me deu uma requinta pra eu estudar. Eu levei a requinta pra casa. Aprendi a primeira escala e decorei algumas músicas românticas pra fazer serenata pela rua. Ele soube que eu andava fazendo serenata com a requinta e a tomou.

Seu talento era evidente, a ponto de que a própria família passasse a insistir que fosse tentar carreira na cidade grande. Depois de algumas idas e vindas, mudou-se para Recife, foi contratado pela Rádio Clube de Pernambuco aos 15 anos de idade, em novembro de 1945, e descobriu um novo horizonte musical.

(...) foi lá que eu vi pela primeira vez uma orquestra grande, com cordas. Assisti ao primeiro concerto sinfônico lá no Teatro Santa Isabel, com a orquestra Sinfônica de Recife tocando a 5ª Sinfonia de Beethoven. Aquilo pra mim foi um abrir portas pra um mundo musical que eu realmente desconhecia.”

Sivuca aprendeu teoria musical com o clarinetista da sinfônica e, três anos depois, passou a estudar harmonia e orquestração com o maestro fluminense Guerra-Peixe, que então vivia em Recife.

Ao longo da vida profissional, foi incorporando outros instrumentos ao seu arsenal, como o violão, a guitarra e o piano, numa mistura de autodidatismo e aprendizado informal com alguns dos melhores músicos do mundo.

O estudo, o desenvolvimento musical torna-se necessário. Eu digo isso porque eu também passei pelo mesmo; fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente levando a sério todas as tendências, mas também me dando ao trabalho de queimar pestana e estudar teoria musical, estudar orquestração e, enfim, harmonia, fuga, contraponto, me preparar pra lidar com os ingredientes teoricamente.”

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