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Roberto Sion
Roberto Sion
* 06/10/1946 Santos, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, maestro.
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Forma��o

Roberto Sion nasceu e cresceu sob o império da música. "Meus tios Gabriel e Isaac - contrabaixo e clarinete -, meu pai, Moise, e alguns amigos, foram os pioneiros do jazz em Santos, na década de 1940. Em minha casa, tocaram Stan Kenton - por uma tarde, com Gilberto Mendes presente -, Dick Farney e Jacques Klein, assim como músicos eruditos e populares que lá iam em jam sessions ou para ensaios. Cresci assim."

Sion começou a estudar música aos cinco anos de idade e, entre suas lembranças musicais mais remotas estão, "minha primeira professora de música, Dinorah, que me dava lápis colorido para escrever as notas musicais. Minha primeira composição, aos sete anos de idade, que me veio à cabeça em meio a um banho de chuveiro. Meu pai tocando piano, minha mãe ouvindo os clássicos. Os bailes que meu pai abrilhantava, com seu conjunto amador 'Amor e Fome', e para os quais me carregava, desde que eu tinha oito anos."

Até os 11 anos de idade, Roberto Sion estudou piano com professoras particulares e, em seguida, fez o curso do Conservatório Lavignac, em Santos, onde, além do piano, estudou canto coral, solfejo, teoria musical e harmonia até, mais ou menos, os 17 anos.

Dos métodos utilizados em seus estudos, Sion cita os de Hanon e Oscar Beringer para piano, o de teoria de Sofia Melo Oliveira, o de harmonia de Theodore Dubois – "Traité d'harmonie théorique et pratique" -, traduzido por Júlia Conceição, e o método Klosé para saxofone e clarinete.
 
De todo este aprendizado, ficou de útil e agradável para Sion, "o prazer de tocar que me acompanhava inúmeras vezes - embora o futebol me chamasse de igual maneira -, o carinho das primeiras professoras de piano, o estímulo da minha professora maior, Dulce Fonseca - diretora do Conservatório Lavignac -, o contato com a música popular através de meu pai, a descoberta da fonte em comum das harmonias clássica e popular, os primeiros conjuntos de jazz e de baile em que tudo era aprendido de ouvido, os conselhos de músicos mais experientes aos quais eu sempre consultava quando visitavam a cidade."
 
A lista das pessoas decisivas para a formação musical de Sion é extensa.
 
"A já citada professora Dulce Fonseca - que sempre me fez acreditar que eu era um músico de verdade; Ezequiel Neves, um pedreiro, e Sérgio Mateus, um estudante - com quem partilhava a descoberta dos primeiros acordes de bossa nova; as inúmeras noites de música da mais pura emoção estética; minha mãe e minha tia Lídia – que me ensinaram para sempre a amar a grande música de concerto; Casé e Amilton Godoy - me mostrando o valor das inúmeras horas de estudo para ser um músico competente; Klaus Dieter Wolf, Gilberto Mendes, Willy Correa, Damiano Cozella e Koellreutter - que me mostraram a música antiga e ultra moderna. Luiz Eça - ídolo sempre - no amor à beleza da música; Cláudio Roditi, meu primo, que mostrou o caminho para os sopros; Abramo Garini, primeiro professor de clarinete; Joseph Viola, queridíssimo e primeiro professor de saxofone; Paul Desmond, que me ensinou tudo, muito antes, sem mesmo saber disso; Grace Anderson, mestra primeira de flauta; e, finalmente, Olivier Toni - que pôs meus conhecimentos anteriores em ordem e me deu toda a base para prosseguir até hoje estudando."
 
Quanto ao autodidatismo, Sion conta que, depois de aprender trompete com seu primo Cláudio Roditi, passou a estudar saxofone e clarinete sozinho. "Não creio que tenha sido uma coisa boa, embora inevitável para quem não dispõe de um professor por perto. Creio que só vale para gênios como Hermeto Pascoal e uns outros poucos."
 
Dos músicos com quem convive e conviveu e que foram importantes para o músico que ele é hoje, fazendo a ressalva de que "foram muitos e com cada um aprendi um pouco", Sion destaca "Victor Assis Brasil - companheiro de crescimento jazzístico; Nelson Ayres -, inspirador para carreira de músico e arranjador, além de dividir comigo importantíssimos trabalhos; Luiz Eça - pela contínua inspiração e por noites de intensa música no Chico's Bar; Hermeto Pascoal e Toots Thielemans, com quem muito aprendi e pude sentir uma coisa mágica que ia além das notas; Toninho Carrasqueira - com quem dividi inúmeros trabalhos e horas e horas de amor à flauta e à grande música."

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