Formação
Roberto Menescal é o primeiro músico de sua família.
Entre suas lembranças musicais mais antigas está o presente que, aos 11 anos de idade, recebeu de seu pai: uma pequena gaita de plástico. "No mesmo dia em que a ganhei, quando ele chegou em casa à noite depois do trabalho, ficou surpreso ao me ver tocar aquela música "Os amores de Suzana só começam no Natal, duram sempre pouco tempo, vão até o carnaval”. Meu pai me perguntou quem me havia ensinado aquilo. Eu tinha aprendido sozinho."
Dos 13 aos 15 anos, Roberto Menescal estudou com Irma Menescal, professora de piano clássico casada com seu tio, e não tem boas recordações daquela época. "Era tudo muito tradicional e, ao tentar criar algumas notas no meio daquelas músicas, minha tia batia nos meus dedos com uma vareta, o que me chateava muito. Acabei abandonando as aulas, pois o meu ouvido me levava para um lado mais criativo e não apenas para o processo de repetir aquilo que estava nas partituras e que todos tocavam da mesma maneira."
Foram várias as figuras decisivas na formação musical de Roberto Menescal. Entre elas, além dos inúmeros músicos com quem tem convivido, Menescal destaca o maestro Moacir Santos, "meu primeiro grande professor de instrumentação", Tom Jobim, "meu grande e eterno mestre, que me ensinou muito de música e de vida", João Gilberto, "que nos trouxe a batida de violão e nos deu o rumo para futuros trabalhos", e o maestro Guerra Peixe, que lhe deu aulas de orquestração.
Menescal revela ter aprendido, de forma autodidata, "com os discos, com os bailes da vida, com os encontros mil de músicos maravilhosos, com cantores e compositores fantásticos com quem tive oportunidade de trabalhar. Não posso dizer que aprendi sozinho, mas sim com todos eles."