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Raphael Rabello
Rafael Baptista Rabello
* 31/10/1962 Petrópolis, RJ, Brasil.
† 27/04/1995 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, violonista, compositor.

Formação

Todo mundo tocava, o Fabiano tocava violão, a Isolina tocava piano, Amélia cantava e tocava, tinha o coral das minhas irmãs com o meu avô. Tocava violão o meu avô. A Luciana já tocava antes de mim e eu só ficava olhando aquilo tudo ...
 
Raphael era o caçula de nove irmãos, numa família que respirava música. Sua casa era freqüentada por muitos músicos, e nela se ouvia dos clássicos à música regional nordestina, mas sobretudo muito choro. Os dois avôs, Flaviano Rabello e José de Queiroz Baptista, eram violonistas; Raphael, porém, só conheceu José, que, chorão, foi excelente violonista e compositor; coube a ele ensinar os primeiros passos da música aos nove netos. Mais tarde, Raphael dedicaria a José uma de suas composições mais conhecidas, “Meu avô”.
 
José de Queiroz faleceu em 1969, deixando a cargo de Ruy Fabiano, irmão mais velho de Raphael, a tarefa de iniciar o caçula, então com oito anos, no violão. Em paralelo, o menino estudou teoria musical com Maria Alice Salles, que também era professora dos outros irmãos.
 
Entre os músicos que freqüentavam a casa da família, estava Rick Ventura - um jovem e promissor professor de violão. Ele foi o primeiro músico extra-familiar a atestar o talento daquele menino. Foi Rick quem lhe deu as primeiras lições, ainda que informais, e, além dos irmãos, foi seu primeiro entusiasta.
 
Queria que todos conhecessem Raphael e tratou de apresentá-lo ao meio musical a que tinha acesso. Assim, Raphael levou Dick Farney às lagrimas, quando, com Rick e a irmã Amélia, tocou pra ele num sarau. Anos mais tarde, já professor de violão da UniRio, , Rick Ventura escreveu sobre Raphael:
 
“[...] por volta dos 10 anos de idade, Raphael se apaixonou perdidamente pelo disco ‘Vibrações’, do Época de Ouro – de Jacob do Bandolim. Encantava-lhe especialmente o violão do Dino. [...]”
 
[...] Raphael conseguiu, em menos de duas semanas, acompanhar todo o disco imitando o violão do Dino com todas as notas a que tinha direito. Em mais algumas semanas, já estava fazendo suas próprias variações. Quanto ao repertório que eu havia passado pessoalmente a ele nessa época, poucos meses depois já conseguia me superar visivelmente”.
“Assim foi indo, aos poucos, através de uma aprendizagem musical informal. Eu mesmo tive a oportunidade de, tocando não só de ‘ouvido’, como também de ‘olho’, repassar-lhe diversas peças do repertório clássico do violão, além de exercícios técnicos e arranjos meus para ‘Tico-tico no Fubá’, ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘Odeon’ e muitos temas da bossa-nova, samba e jazz, todos solados. Aos poucos, sua intuição para o acompanhamento foi desabrochando de uma forma surpreendente. Estávamos no início dos anos 70. Portanto, sua capacidade de solar se antecipou à capacidade de acompanhar (daí, creio, vem a maestria de suas harmonizações)”.
 
Aos 12 anos, levado pelo bandolinista Deo Rian, passou a ser aluno de Meira, que havia sido professor de Baden Powell e posteriormente de Mauricio Carrilho.
 
Meira ensinou-o a ler partitura por métodos tradicionais, orientando-o para uma aprendizagem mais formal e utilizando o choro para sedimentar a sua base musical. Foi, seguramente, com Meira que Raphael consolidou a sua formação. (Rick Ventura)
 
Aos 16 anos, passou a trabalhar com Radamés Gnattali. Embora Raphael não tenha sido aluno do maestro, tornou-se seu parceiro em alguns discos e teve em Radamés, com toda a certeza, um de seus principais mentores musicais.
 
"Radamés foi como um pai para mim. Desde meus 14 anos, quando o conheci, ele me ensinou tudo de música e acompanhou minha carreira. Internacionalmente reconhecido, como um dos melhores compositores do século, Radamés influenciou toda uma geração musical, que vai de mim a Tom Jobim. "
 
Já adulto, teve aulas de harmonia com Ian Guest.

 

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