Forma��o
A primeira lembrança musical de Poyares vem dos 5 anos de idade: “Eu ganhei [de minha mãe] uma flautinha de lata com seis orifícios no Natal de 1933. E criei uma escala, nessa flauta que não tinha escala.
“Eu sou de uma família de músicos eruditos. Meu pai era violinista concertista. Meus avós eram maestros. E o pai do meu pai era maestro da Sinfônica de Lisboa. E minha mãe era flautista e tinha um tio flautista. Eu tinha até um tio tonto, como era chamado quem não era parente direto, e era casado com minha tia, irmã do meu pai. Ele era dono de cartório, e também era flautista. Todos eram eruditos. Na casa do meu pai, eles se reuniam em saraus aos sábados de tarde. Eu ouvia todo mundo tocando e pegava minha flautinha de lata e ficava no porão do casarão construído por jesuítas, e repetia as músicas que minha mãe tocava na sua flauta transversal.
O problema é que Poyares gostava de música popular, e não fazia muita questão de tocar os eruditos:
“Quando foi um dia, eu estava com oito anos e fazia três anos que tocava minha flautinha. Eles descobriram que eu tinha tendência para música popular. Tomaram minha flautinha de lata e não deixaram tocar mais. Porque eu não queria tocar música erudita. Eles queriam me ensinar música erudita. E eu não queria. Esconderam minha flautinha.”
Segundo o próprio Poyares, “Eu não tive professor, eu criei minha formação musical. Apesar de não repudiar a música erudita. Eu toco também música erudita, mas eu amo a música popular. Eu sou autodidata.”
No entanto, há registros de que tenha estudado flauta inicialmente com a mãe e, posteriormente, já no Rio de Janeiro, teoria com Orlando Silveira e flauta transversa com Cícero Ferreira.