Verbete em elaboração - Dezembro 2008
O pai de Pìxinguinha, além de flautista amador, era um apaixonado pelo choro.
Se, como flautista, não chegou a ser dos melhores (“Meu pai não era grande flautista, mas adorava tocar o instrumento”), como amante do choro reuniu um grande acervo de composições da virada do século XX, e fazia saraus frequentes em sua casa.
"Às vezes a turma de músicos tocava até tarde e eu era mandado para a cama. Mas não dormia. Ficava prestando atenção e no dia seguinte procurava tirar em minha flauta de lata os chorinhos que tinha escutado até de madrugada".
A família era grande e, de uma forma ou de outra, todos tinham ligação com a música. Otávio (
China), irmão mais velho, tocava violão de seis e sete cordas, e banjo; outros dois irmãos, Henrique e Léo, tocavam cavaquinho e violão; sua irmã Edith tocava piano; e uma outra irmã, Hermengarda, foi proibida pelo pai de seguir a carreira de cantora.
O período de iniciação musical de Pixinguinha foi curto, pois ainda no início da adolescência já tocava profissionalmente. Os primeiros professores foram os irmãos Léo e Henrique, e seu primeiro instrumento foi o cavaquinho.
Um vizinho, chamado Borges Leitão, foi seu professor de teoria musical.
Em algum momento, começou a brincar com a flauta, e se encantou com o instrumento, possivelmente estimulado por
Irineu Batina, grande músico, que morava na casa da família de Pixinguinha – cujo pai era conhecido pela generosidade em abrigar músicos em dificuldade, ou em passagem pelo Rio de Janeiro.
A verdade é que, impressionado com a qualidade e a rapidez do aprendizado de Pixinguinha, Irineu estimulou o pai de Pixinguinha – que era funcionário dos Correios, e tinha uma situação financeira estável – a importar uma flauta de concerto italiana com a qual Pixinguinha pudesse expressar todo o seu talento de músico.
Aos quatorze anos, Pixinguinha já tocava na orquestra de um rancho dirigido por Irineu.
O saxofone, instrumento que adotou na década de 1920, durante uma viagem à França, foi aprendido sem mestre. Àquela altura, Pixinguinha já era músico experiente e reconhecido.
Faltam informações confiáveis sobre o desenvolvimento de Pixinguinha como arranjador, mas é certo que essas habilidades foram adquiridas de maneira progressiva.
Falando das primeiras gravações dos Oito Batutas, feitas na Argentina, o músico e estudioso do arranjo brasileiro
Paulo Aragão comenta: “
Os contracantos de Pixinguinha na flauta e de José Alves de Lima no bandolim são totalmente improvisados, muitas vezes acontecendo ao mesmo tempo e se chocando em alguns momentos. O virtuosismo dos integrantes parecia se impor a quaisquer ‘problemas’ — há momentos em que a harmonia se choca com a melodia e outros em que cada instrumento parece seguir um caminho harmônico.”
Na década de 1930, encontramos Pixinguinha como arranjador da RCA Victor, trabalhando com agrupamentos maiores e demonstrando outro domínio da orquestração.
“
Em 1928 temos uma sonoridade sem dúvida bem ‘mais comportada’, certamente em decorrência da adaptação de Pixinguinha às novas exigências. Nas gravações realizadas na Odeon ao longo desse ano, inclusive, o grupo utilizou o nome de ‘Orquestra dos Oito Batutas’, com sonoridade mais encorpada, através do concurso de instrumentos de metais, contracantos aparentemente predefinidos e repetidos ao longo das seções e outros elementos.” (
Paulo Aragão)
O convívio com músicos do porte de Villa-Lobos e com os maestros da época, além da possibilidade de experimentar na prática o efeito de suas idéias orquestrais, foram o elemento complementar da formação de Pixinguinha como arranjador.