Forma��o
Paulo Bellinati é o primeiro músico profissional de sua família. Seu pai tocava valsas, choros e cantava tangos, tudo isso ao violão, mas por hobby. “Lembro que me ensinou, nota por nota, a melodia da valsa ‘Rapaziada do Brás’, quando eu tinha 12 anos.”
Bellinati tem recordações musicais ainda mais antigas do que esta. “Ouvir Os Demônios da Garoa em Bertioga (SP). Eu tinha cinco anos e gostava de cantar ‘Saudosa maloca’ junto com o disco.” (n. e.: “Rapaziada do Brás”, composição de Alberto Marino, é de 1927 e “Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa, de 1955)
Paulo começou a estudar violão aos 15 anos de idade.
“Em 1965, comecei a estudar violão, teoria e solfejo com a professora Wanda Borghese. Em 1966, fizemos um conjunto no ginásio. No final deste mesmo ano, toquei guitarra base no conjunto chamado Os Nobres. Meu primeiro trabalho profissional foi no réveillon de 1966, em uma pizzaria, com este mesmo conjunto.
Em 1967, entrei para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde estudei com o professor Isaias Sávio. Me formei no conservatório na turma de violão de 1969, porém continuei a estudar com Sávio até 1974. Neste ano, fiz a Bienal Internacional de Música da USP e tive a oportunidade de estudar com Gilberto Mendes, Ronaldo Bologna e Willy Correa, entre outros. Nesta época, tive aulas de violão com Turíbio Santos e de orquestração com Luiz Roberto Oliveira.
Em 1975, fui estudar no Conservatório de Genebra, na Suíça, onde morei até 1980. Além dos cursos de harmonia, composição e orquestração em Genebra, também estudei violão com Oscar Cáceres e Abel Carlevaro, na França, e com Baltazar Benitez, na Holanda.”
Muitos foram os livros e métodos utilizados por Bellinati ao longo deste aprendizado.
“Além dos métodos, estudos e composições dos meus professores Isaias Sávio e Abel Carlevaro, toquei grande parte do repertório tradicional do violão erudito. Na parte popular, estudei os livros da Berkeley University (Califórnia, EUA) e uma infinidade de livros de jazz. No Conservatório, estudei os livros de Sávio, além de várias peças marcantes, como as obras de Villa-Lobos, Augustín Barrios, Manuel Ponce e do próprio Sávio. Estudei, também, várias transcrições de Andrés Segovia, como ‘Astúrias’, de I. Albéniz, peças de D. Scarlatti, G. Frescobaldi e J. S. Bach, entre outros.”
Como complemento de todos esses estudos, para Paulo Bellinati, “assistir aos concertos dos grandes mestres sempre foi a maior e mais agradável fonte de inspiração. São inesquecíveis as apresentações de Andrés Segovia, Duo Abreu, Julian Bream, John Williams, Paco de Lucia, Egberto Gismonti, Joe Pass, Jim Hall, Pat Metheny, Raphael Rabello, Baden Powell e outros gênios do violão e da guitarra.”
Bellinati teve a oportunidade de conviver com alguns desses artistas que, junto a outros tantos, foram importantes para o músico que ele é hoje.
“Tive o prazer e a felicidade de tocar com Raphael Rabello, Joe Pass, Steve Swallow, Carla Bley, Johnny Alf, Lula Galvão, Hélio Delmiro, Paulinho Nogueira, Heraldo do Monte, Nelson Ayres, Roberto Sion, Lelo Nazário e outros grandes amigos que sempre enriqueceram minha formação.”
Quanto ao autodidatismo, “acho que a gente não aprende nada sozinho. Música é ouvir os sons que alguém está produzindo. Aprender música depende, vitalmente, dessa atividade; ser influenciado, copiar o seu ídolo ou mestre. Quem disser que é 100% autodidata em música está mentindo.”
E, como que confirmando sua tese, Bellinati faz uma não pequena lista dos músicos com os quais muito aprendeu.
“No princípio, meus colegas de conjunto de baile, e alguns músicos que estudavam na escola comigo, como Sílvio Santisteban. Aprendi muito vendo o Sílvio tocar na escola e nas reuniões de violão que a gente fazia todo sábado, nos idos de 1970.
Meus colegas músicos da Suíça, onde morei de 1975 até 1980: Nestor Tomassini, Horacio Fumero, Raul Esmerode, Eduardo Kohan, Pavel Pesta, Jacques Demière.
Meus amigos músicos incríveis: Lelo Nazário, Zé Eduardo Nazário, Carlos Barbosa-Lima, Luiz Roberto Oliveira, Olmir Stoker, o Alemão, Edgar Gianullo, Edgard Poças, Paulinho Nogueira, e outros que não lembro agora. Cada um me ensinou muitas coisas, e juntos, tudo o que sei.”