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Paulo Aragão
Paulo de Moura Aragão
* 05/03/1976 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, musicólogo.
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Forma��o

Paulo Aragão acredita ser o primeiro músico de sua família, até porque é dois anos mais velho do que seu irmão, Pedro Aragão, também músico.

Meu pai tinha um violão em casa e chegou a estudar um pouco quando jovem. Mas, acima de tudo, tanto ele quanto meu avô sempre apreciaram muito a música, de modo que tínhamos um ambiente muito musical em casa.”

Nesta casa tão musical, a lembrança mais antiga de Paulo, relacionada à música, está ligada à “descoberta dos LPs do meu pai, ainda criança, com cerca de oito anos. Havia alguma coisa de música clássica - Bach, Beethoven - e muita música popular. Lembro-me de ter ‘gastado’ os discos de choro, especialmente alguns com músicas de Ernesto Nazareth.”

Paulo Aragão começou a tocar violão aos 10 anos de idade e um ano depois passou a ter aulas.

Comecei tendo aulas particulares com um professor do Rio de Janeiro, chamado Luiz Alberto. Em 1991, comecei aulas com Léo Soares, antes de ingressar, três anos depois, na Escola de Música da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – onde cursei o Bacharelado em Violão com este mesmo professor. Formei-me em 1998. Até minha formatura estudei violão clássico, apesar de nunca ter pretendido seguir a carreira de concertista. Já tocava também música popular e já tinha claro para mim que a minha grande paixão no fazer música eram os arranjos. Tanto que me formei tocando um repertório com vários arranjos e transcrições minhas, inclusive do ‘Concerto nº 4 Para Violão E Orquestra’, de Radamés Gnattali, que transcrevi para uma formação que tinha clarineta, bandolim, cavaquinho, dois violões e contrabaixo. Isso viabilizou a apresentação dessa peça no meu concerto de formatura e acabou simbolizando bem minha idéia de pensar o ofício de violonista como um caminho para o ofício de arranjador.”

Embora certamente tenha utilizado muitos livros e métodos em sua formação, Paulo dá mais importância à sua vivência direta com a música.

Creio que mais do que livros ou métodos, o fato mais marcante da minha formação musical foi ter me proposto sempre a escutar muita, mas muita música. Gostava de ouvir tanto ou mais do que tocar, fosse através de gravações ou ao vivo. Lembro-me que houve épocas em que eu era ‘rato’ de shows e concertos; chegava a ir a cinco, seis por semana. Outro fator decisivo na minha formação musical foi o rádio. Nessa mesma época - eu devia ter por volta de 15 anos - gravava fitas cassete com músicas que tocavam no rádio, em especial na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Até hoje, tenho mais de 200 cassetes com um repertório muito amplo, de música clássica e popular. Creio que ouvir e conhecer música é fundamental. Lembro de como eu ficava espantado na faculdade, quando estudava violão clássico, de ver uma quantidade enorme de instrumentistas cujo único objetivo era seu próprio instrumento, simplesmente tocar o mesmo repertório de sempre, sem nenhum interesse maior pela música.”

É “justamente esse interesse contínuo e o prazer de ouvir música” que representa o que ficou de mais útil e agradável para ele em sua formação musical, além de fatos e pessoas marcantes.

A formação do Quarteto Maogani, em 1995, e o trabalho que temos desenvolvido em conjunto tem sido um aprendizado maravilhoso, tanto no que diz respeito à minha carreira de arranjador, quanto à de instrumentista. Destaco, também, três violonistas fundamentais com quem tenho o privilégio de conviver e com quem aprendo muito: Guinga, pela engenhosidade dos caminhos musicais do seu violão; Sérgio Assad, pela engenhosidade dos arranjos violonísticos; e Maurício Carrilho, com quem aprendi a enxergar a imensa profundidade que pode haver no violão acompanhador. Curiosamente, o que mais me fascina nos três é a originalidade do pensamento musical, a capacidade de utilizar o violão não apenas em função da performance violonística em si, mas como veículo para uma expressão musical plena, maior. Creio que tento seguir esse norte em meus trabalhos.”

Quanto à função do autodidatismo em seu aprendizado, “minha formação musical foi muito mais formal do que autodidata, dentro do que se considera comumente como formalismo e autodidatismo. Porém, creio que assim como ninguém é 100% autodidata, sob pena de estar reinventando a roda todos os dias, ninguém é 100% formal, acadêmico ou seja lá o que for no sentido oposto. Creio que quando escrevo meus arranjos as escolhas empíricas são tão ou mais freqüentes do que aquelas baseadas na técnica. Aliás, acho que não pode haver bom resultado sem empirismo, sem intuição, sem aquilo que se aprende apenas com a ‘antena’ musical. Por isso, estou certo de que o simples fato de ter sempre ouvido muita música, dias e noites a fio, tem sido o alicerce do meu trabalho como arranjador.”

Mais uma vez, Paulo Aragão cita Guinga, Sérgio Assad e Maurício Carrilho como os músicos mais importantes para o músico que ele se tornou.

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