Nelson Faria pertence a uma família musical. Seu tio avô, Fructuoso Vianna, foi um dos principais compositores brasileiros para piano clássico, e suas obras aparecem em todas as antologias do final do século XIX e do século XX. A avó, Carmosina Vianna Sanches, era professora de piano e canto coral, e a mãe cantava de forma amadora; todos os seus cinco irmãos têm alguma formação musical e Nelson, o mais novo, foi o único a seguir carreira.
O primeiro instrumento foi o piano, ensinado pela mãe; dessa época, ficou a lembrança da composição "Stormy weather", famosa canção americana escrita em 1933 por Harold Arlen e Ted Koehler, cuja interpretação mais conhecida é a de Billie Holiday. Outra lembrança marcante foi assistir em Belo Horizonte a um pianista - de cujo nome não se recorda - executar "Rhapsody in Blue", de George Gershwin – a primeira obra clássica a utilizar fortemente os elementos do jazz e do blues.
Mas o piano foi uma experiência passageira. Aos oito anos, começou a estudar violão com a mãe e com os irmãos e logo, não só formou um repertório de bossa nova que executava regularmente, como passou a acompanhá-los nas rodas de bossa nova.
Os estudos mais formais começaram em Brasília. “Aos 16 anos tive meu primeiro professor de violão, o ‘Gamela’ (Sidney Barros). Foi ele que me incentivou a fazer música profissionalmente.”
Aos 19, matriculou-se no GIT (Guitar Institute of Technology) em Los Angeles, onde teve como professores alguns dos maiores mestres do jazz e do fusion, como Joe Diorio, Joe Pass, Frank Gambale, Scotch Henderson, Ron Eschete. Também em Los Angeles, teve aulas particulares com Ted Greene, o mestre das chord melodies – técnica em que a guitarra, ao mesmo tempo em que sola, executa os acordes da harmonia e marca o ritmo.
“De volta ao Brasil, transferi meu curso iniciado de economia para licenciatura em Música na UnB (Universidade de Brasília). Em 1987 - aos 24 anos - fui convidado para dar aulas na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, onde terminei meu curso (era professor e aluno no mesmo curso, ao mesmo tempo...). Em 2001, ganhei a bolsa Virtuose do Ministério da Cultura, indo estudar arranjo e composição em Nova York. Tive como professores Manny Albam, Michael Abene e Jim McNeely”.
Gamela e Joe Diorio foram os professores que, segundo Nelson, delinearam sua estrada musical. Gamela com os ensinamentos sobre arranjos de violão brasileiro, durante a adolescência, e Joe Diorio com as informações sobre música e improvisação em geral, já no início da idade adulta e começo da profissionalização.
Dessa fase de aprendizado, ficaram alguns métodos e livros de partituras que Nelson Faria utiliza até hoje: "Fusion" e "Intervalic Designs", de Joe Diorio, "Real Books" - coletâneas de partituras de standards e clássicos do jazz e da música latina -, "Chord Chemistry" e "Modern Chord Progressions", de Ted Greene.
“Acredito que o músico com quem mais aprendi, tocando profissionalmente, foi Nico Assumpção. Trabalhamos muito em duo, trio (com diversos bateristas), e foi ele que me indicou para tocar com João Bosco. Nico era super-exigente e um músico de rara habilidade.”
Dos anos de formação, Nelson considera que, de uma forma ou de outra, tudo se reflete em sua música, com alguns destaques: “De mais agradável, a capacidade de improvisar; de mais útil, minha técnica, repertório, conhecimento do instrumento, leitura.”