Forma��o
Marcus Tardelli nasceu e cresceu ouvindo seu pai tocando violão para sua mãe. Aos quatro anos, tinha um violão de brinquedo – com barbantes no lugar das cordas – e fantasiava que estava tocando, embora ainda não tivesse os dedos preparados para isso. Aos sete, ganhou de seu pai um pequeno violão usado, da marca Giannini. "Nunca esperei tanto um presente na minha vida quanto este. Quando o instrumento chegou não pensava em outra coisa."
Ainda pequenino, Marcus já revelava ter ouvido sensível e, muitas vezes, chorava quando ouvia determinadas músicas e saía de dentro de casa para não ouvir faixas de discos que o emocionavam.
Aos sete anos, quando ganhou o violão "de verdade", Marcus começou a ter aulas com seu pai, que surpreendeu-se com a rapidez com que o menino aprendia lições que ele mesmo levara anos estudando. Por isso, logo em seguida, passou a ter aulas com um professor profissional. Seu pai conta que "ele nem tinha completado 10 anos quando lhe dei um disco de Dilermando Reis. Fiquei impressionado com o que vi: ele tirou de ouvido o disco inteiro em menos de uma semana, tocando os arranjos exatamente como foram gravados. Nesse momento vi que se tratava de um talento incomum."
Marcus Tardelli, então, passou a ter aulas de violão clássico com o professor Dorival Lessa e a estudar música popular por sua própria conta.
Para isso, "não utilizava métodos; minha maior escola foi meu ouvido."
E "tirar tudo de ouvido desde o princípio, principalmente músicas de orquestras" foi o que lhe ficou de mais útil e agradável de seu aprendizado.
Para Marcus Tardelli o personagem principal de seu início como violonista foi seu pai, em que pese o apoio que recebeu de muitas outras pessoas.
Quanto ao auto-didatismo, Marcus diz que aprendeu sozinho "praticamente tudo que sei; tirava tudo de ouvido e passava para o violão, desde os sete anos de idade. Na verdade, meu maior veículo de interação com a música sempre foi meu ouvido e, não, o violão. Pra mim, foi muito mais natural tocar de ouvido do que por partituras."
Quanto aos músicos com quem tenha convivido e que tenham sido importantes na sua formação, Marcus Tardelli ressalta que seu aprendizado "está mais relacionado aos artistas e compositores que pude ouvir desde o princípio através do rádio e dos discos. Entre esses compositores estão Maurice Ravel, J. S. Bach, Gabriel Fauré, Villa-Lobos, Tom Jobim, Ernesto Nazareth, Garoto, George Gershwin e Cole Porter. E artistas como Vladimir Horowitz, Julian Bream, Bill Evans, Wes Montgomery, Chet Baker, Ella Fitzgerald, Elis Regina e Michel Legrand, entre outros."