Forma��o
Márcia Taborda nasceu em uma família que não tinha o costume de ouvir música. “Não havia música em minha casa; não havia discos nem livros; havia rádio, bem popular; a lembrança que tenho é de minha mãe ouvindo projeto Minerva e acho que havia umas canções apresentadas por Paulo Tapajós.” (n.e.: o “Projeto Minerva” – criado durante a ditadura militar – 1964-1985 – era um programa transmitido obrigatoriamente pelas rádios brasileiras.)
Como não havia discos em sua casa, as lembranças musicais mais remotas de Márcia Taborda vêm da casa vizinha. “Meu vizinho na vila onde morava, no Catete, ouvindo discos de porta aberta, a alto, altíssimo som.”
Da mesma forma que ouvia música de “carona”, Márcia começou a estudar violão. “Aos 16 anos, minha irmã entrou pra uma banda de rock. Ela fazia aulas de violão com uma amiga e eu ficava estudando depois da aula dela. Aos 17, eu fazia faculdade de Letras e um colega meu estudava violão na ‘Guitarra de Prata’; me interessei, larguei a faculdade, fui aprender e, em 1983, fiz prova pra UNIRIO.”
Antes disso, Márcia teve uma professora que lhe ensinava “umas canções tipo 'Granada', cheias de rasqueados (bem cafona) e eu amava isso.”
Márcia estudou na Escola de Música - Instituto Villa-Lobos - da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e, também, com José Molina, que foi professor de Turíbio Santos.
Entre os métodos utilizados nessa formação, Márcia se lembra bem dos tradicionais, de Francisco Tárrega - "The Francisco Tárrega Collection" (Ed. Hal Leonard) - e Matteo Carcassi - “Novo Método de Violão - Opus 59” (Ed. Irmãos Vitale).
Mas, a violonista se lembra, com prazer, da espera pela publicação “Violão e Guitarra”, conhecida pelo apelido de “Vigu”; revista que trazia os sucessos do momento, com as letras e os acordes para que quem estivesse interessado pudesse tocar. “Antes de ter aulas era consumidora voraz das revistas Vigu! Minha lembrança mais agradável era a chegada da revista às bancas.”
Para Márcia, seu ex-marido, Tato Taborda, foi importante em sua formação porque a fez “conhecer e me apaixonar pela música contemporânea. Fiz primeiras audições de diversos trabalhos.”
Quanto ao auto-didatismo, “ao violão aprendi as levadas; na música contemporânea me lancei e aprendi a improvisar, fazendo.”
Entre os músicos com quem conviveu e convive, e que foram importantes em sua formação, Márcia elege apenas um: “O que aprendi de mais marcante foi com Turíbio Santos... Nada musical; aprendi com ele a me lançar, a realizar.”