Forma��o
Lula Galvão nasceu num ambiente muito musical. "Meu pai tinha um conhecimento de música considerável. Popular e a dita erudita. Gostava muito de cantar os grandes clássicos da nossa música - Ary Barroso, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues - e assoviava sempre que realizava alguma tarefa. Tocava um pouco de violão... Minha mãe cantava desde pequena. Participou dos Cantos Orfeônicos regidos por Villa-Lobos. Cantava muito em casa."
Dos seis filhos do casal, quatro se dedicaram à música: Carlos Galvão (baixista, compositor e arranjador), Zequinha Galvão (baterista), Sergio Galvão (saxofonista e flautista) e Lula. Alguns netos e bisnetos do casal vêm se dedicando à música.
Uma de suas lembranças musicais mais antigas remonta aos cinco anos de idade, em sua casa em Brasília, na figura de seus irmãos mais velhos, Carlos e Zeca, naquela época já músicos, tocando e escutando músicas de variados estilos.
Lula começou a tocar aos 15 anos "de maneira descompromissada e solitária", tendo somente aos 18 iniciado seus estudos. "Gostava de escutar as músicas e tentar entender por onde andavam aquelas harmonias e a relação delas com as melodias. Aos 18 anos tive aulas particulares de violão com Luciano Fleming e logo em seguida comecei a estudar na Escola de Música de Brasília com Paulo André Tavares; durante um ano tive o privilégio de estudar com dois mestres simultaneamente." Como à época não havia cursos de música popular na Escola, Lula estudava as peças de Leo Brower, Fernando Sor, Carulli e Matteo Carcassi, experiência que o músico considera fundamental. Paralelamente às aulas regulares, Lula Galvão estudava música popular com os mesmos Paulo André e Luciano.
Quanto aos métodos estudados, o instrumentista Lula lembra-se do autor do primeiro método de harmonia e improvisação com o qual teve contato: "Mickey Backer. Depois desse estudei um pouco de cada método que me caía nas mãos, como ‘Thesaurus of Scales and Melodic Patterns’, de Slonimsky, ‘Intervalic Designer’, de Joe Diorio, ‘Modern Chords Progressions’, de Ted Greene, entre outros."
Do que aprendeu, Lula destaca "o universo imenso a ser desvendado... A persistência, a disciplina necessária e, principalmente, a alegria de tocar."
A família, os professores e os amigos foram decisivos na sua formação musical "pelo apoio e incentivo nas horas de indecisão."
Quanto ao auto-didatismo, Lula diz que aprendeu a "estabelecer a relação com a música através das sensações, das impressões, cores e sabores que a música tão fortemente sugere. Escutando, tentando reproduzir e fazendo associações dos elementos harmônicos, melódicos e rítmicos. Tenho tido o privilégio de tocar e conviver com grandes e importantes músicos com os quais aprendo sempre. Aprendo, além de música, muito sobre a vida de uma forma geral. Rosa Passos, com sua delicadeza e generosidade. Guinga que, com sua forma intuitiva, compõe poemas, pérolas, quadros, filmes... Coisas lindas e tecnicamente desafiadoras. Wagner Tiso, Jaques Morelenbaum, com quem tenho tido atualmente o privilégio de tocar e trilhar caminhos musicais bem interessantes. Tanta gente com quem toquei e que, de um jeito ou de outro, me marcou. Tive o privilégio de tocar com Paquito D’Rivera, Cláudio Roditi, Ron Carter e Raul de Souza, que me marcaram pela improvisação."