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Luiz Otávio Braga
Luiz Otávio Rendeiro Corrêa Braga
* 28/03/1953 Belém, PA, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, ensaista, musicólogo.
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Forma��o

Não havia nenhum músico na família de Luiz Otávio Braga, mas sua mãe gostava muito de cantar. “Aos sábados ela fazia uma faxina em regra e aproveitava pra botar o repertório em dia. Tinha uma voz linda – eu achava. Por ela, eu comecei a cantar. Gostava disso e todo mundo se encantava com o menino. Fui menino cantor lá em Belém aos 7 anos de idade. Época de Joselito, essas coisas...”

Juntam-se a essas lembranças os programas de rádio que Luiz Otávio escutava, “principalmente as serestas que me encantavam pelos violões, as letras rebuscadas...”

Luiz Otávio começou a tocar violão aos 15 anos de idade, em Belém, onde teve seu primeiro professor – Lindomar Modesto, o Lito, “excelente violonista e criatura, e de um gosto musical melhor ainda. Estudar música mesmo foi somente a partir dos 25 anos, com Ian Guest. E aí vem muita gente importante no meu currículo de estudante, o que ainda sou até hoje.”
 
Neste currículo, estão os estudos de teoria, solfejo e arranjo, com Ian Guest; contraponto e composição com Mário Ficarelli e José Penalva; regência coral, com Carlos Alberto Figueiredo (na Pró-Arte, RJ) e John Polle (na BBC Singers); violão com Lindomar Modesto e João Pedro Borges.
 
Com Ian Guest, estudava nos apontamentos que ele preparava e que deram origem aos seus livros de Arranjo e Harmonia; com Ficarelli estudei contraponto de Fux e técnicas de composição, entre elas o serialismo; com José Penalva, técnica de composição: ele partia de composições dos estudantes para discutir principalmente forma; Carlos Alberto Figueiredo, além do repertório vocal universal, utilizava material baseado na experiência adquirida em anos de estudo no Conservatório de Haia, na Holanda; John Polle deu um curso eminentemente prático com base na música vocal de Poulenc, Vaughan Williams, Britten e Bach; com Lindomar Modesto, desenvolvi a percepção musical, uma vez que o método utilizado era inteiramente ‘de ouvido’ e voltado para a música popular, com ênfase na bossa nova e na moderna música da geração de 1960 (Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil...); os estudos que fiz com João Pedro Borges tiveram o objetivo de adquirir a técnica do violão de concerto, da música instrumental chamada erudita: Sor, Bach, Barrios, Villa-Lobos e, também, os populares Garoto, João Pernambuco e Baden Powell, entre tantos. A partir daí, e com o contato com outros violonistas e com tal repertório, melhorei sensivelmente a minha técnica no instrumento.”
 
Em toda essa formação, “tudo pra mim foi bom, útil e agradável, porque os estudos partiram das minhas necessidades e me deram confiança para a liberdade necessária que todo artista deve atingir.” E houve muita gente importante: “Marília Medalha; Cláudia Savaget, Claudionor Cruz, Abel Ferreira, dr. Raul Machado, José Maria Braga e os amigos dos conjuntos Galo Preto e Camerata Carioca, Joel Nascimento e Radamés Gnattali, com quem trabalhei de 1979 até 1985: ele e o choro instrumental foram a melhor escola de música e humanidade que tive. Ian Guest. Tem mais gente. A lista seria imensa.
 
Quanto ao auto-didatismo, “os primeiros arranjos, inclusive os gravados, foram todos de ouvido; escrever partitura também foi muito na base do ver e observar o que era necessário para poder grafar, na grade, os arranjos; em harmonia – ouvindo e tirando das gravações. Na verdade não considero isso ‘aprender sozinho’ – trata-se, apenas, de um processo não-formal, digamos, de musicalização. Há sempre muitos artistas em torno dos quais um sujeito músico espelha as suas ações. Pelo menos as fundamentais.”
 
Dos músicos com que conviveu e convive que foram importantes para o músico que ele é hoje, Luiz Otávio Braga cita Radamés Gnattali –“pelo incentivo em todas as dimensões do fazer música”; Horondino Silva - o Dino Sete Cordas -, “mestre modelo do meu acompanhamento ao violão”; Raphael Rabello, pela amizade, convivência e incentivo mútuo desde o início de nossas carreiras; conjunto Galo Preto, “o valor da amizade”; com meus amigos da Camerata Carioca, principalmente Maurício Carrilho e Joel Nascimento - 30 anos o acompanhando -, amadureci”; Ian Guest, “pelo didatismo”.
 

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