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Luís Filipe de Lima
Luís Filipe Splendore de Lima da Silva
* 24/05/1967 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Forma��o

Luís Filipe de Lima nasceu em uma família de artistas. Seu pai, ator, mímico, diretor teatral, português de nascimento e francês por formação, possuía vasta cultura no campo da música clássica. Ainda jovem, em Lisboa, chegou a assinar críticas de ópera em jornais diários e suplementos culturais. Entretanto, não tocava instrumento qualquer e cantava modestamente. Sua mãe foi bailarina clássica e, como muitas moças de sua geração, completou o curso de piano por imposição da família, num conservatório de São Paulo. Elogiada por seus professores, chegou a dar concertos logo após sua formatura mas, logo que conseguiu, abandonou o piano e passou a se dedicar integralmente à dança. Só voltou a se aproximar da música anos mais tarde, no Rio de Janeiro, onde teve aulas de violão popular, com repertório centrado na bossa nova. "Quando nasci, minha mãe já não praticava mais o violão, mas seu instrumento permanecia ali, ao meu alcance. Ao lado do vasto repertório de cantigas infantis apresentado por minha mãe, aquele violão representou meu primeiro contato com o mundo da música."

Além dessas lembranças, o músico recorda as cantigas de ninar e de roda que sua mãe e sua avó cantavam, bem como os compactos e LPs com músicas dos mais variados estilos que seus pais ouviam em casa – iê-iê-iê, música barroca, trilhas de Kurt Weill e Enio Morricone, samba, Thelonious Monk, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, os Golden Boys, além da música dirigida ao público infantil que chegava a ele, àquela época, nas trilhas de Topo Gigio, Bat Masterson, Cisco Kid e Vila Sésamo.
 
Aos sete anos, Luís Filipe de Lima ganhou de seu pai o primeiro violão, "um instrumento espanhol comprado em Tenerife. Pequeno, adequado para crianças, tinha sonoridade bastante limitada - era um violão barato, com alguns nós no tampo de pinho, mas que faço questão de conservar, pelo imenso valor afetivo."
 
Seu primeiro professor foi Lourenço Baeta. Além dos primeiros acordes ao violão, Lourenço aproximou-o de noções de musicalização. "Lembro-me de passarmos muito tempo juntos ouvindo discos - ele me fazia identificar os instrumentos presentes em cada arranjo, as células rítmicas contidas em cada canção." Luís Filipe de Lima estudou com ele dos oito aos dez anos, sem se aprofundar no estudo formal de música. Aos onze anos, teve aulas de flauta doce com Heloísa Madeira, na escola em que estudava e, a partir desse momento, começou a ter contato permanente com leitura e escrita musicais.
 
Luís Filipe desenvolveu seus conhecimentos de teoria nos quatro semestres do curso de ritmo e som da Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, que freqüentou dos 13 aos 15 anos. Mais tarde, aos 17, teve aulas particulares de harmonia funcional com Sérgio Benevenuto. Dos 13 aos 18 anos estudou bandolim com Afonso Machado e Joel Nascimento. Já violonista profissional, teve, esporadicamente, aulas particulares de violão com Dino Sete Cordas, que mostrou a ele parte do vasto repertório de choros para violão solo.
 
O instrumentista nunca estudou violão fazendo uso de métodos, mas lembra-se de exercícios de técnica que foram mostrados por colegas como Jorge Simas e Luiz Otávio Braga, que acabou adaptando para sua rotina de estudos. Aluno de bandolim, lembra-se de uma série de exercícios criados ou adaptados de estudos para violino por seu professor Afonso Machado, que os acabou publicando mais tarde, reunidos no "Método do Bandolim Brasileiro" (Editora Lumiar, 2004). Joel Nascimento também ensinou-lhe muitos exercícios para o bandolim, sobretudo referentes à técnica de palhetada.
 
De tudo o que aprendeu, Luís Filipe de Lima extrai a seguinte lição: "Em música, é preciso respeitar sempre. Deve-se respeitar a linguagem em que nos movimentamos, respeitar a técnica do instrumento, respeitar nossas próprias limitações no plano da técnica e no das idéias, respeitar nosso ouvinte (mesmo que o surpreendendo), respeitar nossos colegas, aqueles que vieram antes de nós, aqueles que chegaram depois. Nesse processo, o agradável é poder transgredir, sem faltar com o respeito."
 
Em sua formação musical, as figuras mais importantes são Lourenço Baeta, Afonso Machado, Joel Nascimento e Dino Sete Cordas, seus professores. Além deles, há um sem-número de instrumentistas e compositores que Luís Filipe ouviu exaustivamente e que são matéria-prima de suas idéias musicais, dos quais destaca: Vivaldi, Jacob do Bandolim, G. Mahler, Pixinguinha, Django Reinhardt, Raphael Rabello, Américo Jacomino, o Canhoto, Claudionor Cruz, Bach, Tom Jobim.
 
A par de seu aprendizado formal, Luís Filipe de Lima considera-se um músico autodidata, antes de mais nada. Depois de lidar com o violão, o bandolim, a flauta doce e a percussão brasileira - especialmente o pandeiro -, escolheu como instrumento o violão de sete cordas, cuja técnica e linguagem tradicionais não são reveladas por meio de estudos acadêmicos, apenas por uma série de procedimentos de aprendizado informal. "Só há cerca de dez anos começaram a ser publicados os três ou quatro métodos hoje existentes para o estudo do instrumento, alguns ainda um tanto incompletos e, mesmo assim, não utilizados pela maioria dos estudantes. Percorri o caminho habitual para conquistar o sete cordas e suas “baixarias” (n. e.: frases graves características do instrumento): ouvi gravações de Dino 7 Cordas, Raphael Rabello e Valdir Silva, pratiquei em rodas de choro e samba, olhei muito para a mão esquerda de violonistas veteranos, tirei de ouvido os principais clichês de frases do instrumento, aplicadas ao samba, ao choro e aos demais gêneros alcançados pelo sete cordas tradicional."
 
Já profissional, Luís Filipe de Lima tocou regularmente na noite durante mais de 15 anos. Na prática, esta experiência permitiu-lhe ampliar seu conhecimento de repertório, desenvolver o ouvido harmônico e, em especial, estar apto para lidar com qualquer tipo de imprevisto durante a execução, tais como "falhas no sistema de som, cantores que mudam de tom durante a música ou desrespeitam a métrica da canção, tocar músicas absolutamente desconhecidas. Saber tocar ‘de bossa’ ou ‘de antena’ é um grande patrimônio para todo músico que navegue nas águas da linguagem popular", diz o instrumentista.
 
Luís Filipe de Lima conviveu e convive com grandes músicos, não apenas na condição de violonista, mas também na de arranjador e produtor musical, outras funções nas quais se especializou. Cita alguns: seus colegas de sete cordas: Valter Silva, Carlinhos 7 Cordas, Jorge Simas, Luiz Otávio Braga, Maurício Carrilho, Rogério Caetano. "Ouvindo-os todos, mestres que são, reforcei minha convicção de que o violão de sete cordas, seja tocado à maneira tradicional ou mesclado a elementos contemporâneos, é instrumento que requer personalidade forte por parte de seu executante. Cada sete cordas, como de resto acontece no vasto domínio da música popular, imprime a sua marca nos contracantos que cria, alcançando quase sempre sonoridade e estilo inconfundíveis", comenta.  
 
Luís Filipe de Lima destaca, ainda, o baterista Oscar Bolão e os percussionistas Beto Cazes e Paulino Dias; nos sopros, Eduardo Neves - flautista e saxofonista - e Dirceu Leite - flautista, clarinetista e saxofonista. Cita, também, os cavaquinistas Henrique Cazes e Alceu Maia, o bandolinista Pedro Amorim, o pianista Itamar Assiere, o acordeonista Chico Chagas, o violinista Nicolas Krassik, músicos com quem se orgulha de trabalhar regularmente. "Entre tudo que aprendi com eles, destaco um traço fundamental que é comum a todos: a aversão ao excesso".

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