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Luís Felipe Gama
Luís Felipe da Gama Pinto
* 26/07/1970 Santos, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, ensaísta.
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As lembranças musicais mais remotas de Luís Felipe Gama vêm da avó materna "um paradigma do que se fazer com a canção; dá carne às palavras, é afinadíssima e um manancial impressionante de repertório". Os pais começaram o namoro como cantora e baterista de "O Poeta e a Rosa", espetáculo criado por jovens santistas fanáticos por música e pela Bossa Nova, entre os quais o saxofonista e flautista Roberto Sion, e os contrabaixistas Renato Loyola e Fogueira (Valter Nogueira) tornaram-se músicos profissionais. Lembra-se, ainda, das festas musicais na casa dos pais e de sua tia Aleuda cantando na televisão.

Como havia piano em casa, o instrumento foi um de seus primeiros brinquedos. Entre os oito e nove anos de idade, por sugestão de Roberto Sion, foi matriculado na escola de música dirigida pela compositora e violonista Vera Brasil. Antes de ser admitido na escola, foi entrevistado pela irmã da compositora, a pianista Eugênia que, depois de pedir que ele pusesse as mãos no piano, lhe disse que era um pianista nato. "É, talvez, a primeira vez de que me lembro com clareza do sentimento de orgulho. Saí convencido de que era o Beethoven."

Aos dez anos começou a estudar com Laércio de Freitas, que o encorajou a compor e de quem diz ter aproveitado menos do que deveria o fato de ter sido seu aluno, pela preguiça quanto aos estudos técnicos que a pouca idade lhe impunha. Com Laércio, Luís Felipe utilizava o método "Exercícios Práticos Diário" (Ed. Irmãos Vitale), de Oscar Beringer.

Na Escola Municipal de Música de São Paulo foi aluno de Eda Fiori – "sem dúvida, quem me foi mais importante no estudo do piano clássico e quem mais moldou, como professora, minhas mãos". Os métodos que a professora usava eram fundamentalmente "Estudos para Piano" (Ed. Ricordi), de Carl Czerny e todo o "Mikrokosmos" (Ed. Hal Leonard Corporation, 6 vols.), de Béla Bartók. "Até hoje, a figura e a voz de Eda me ajudam a encontrar intimidade com o piano. As suas observações acerca do corpo ao piano me servirão para sempre."

Seu mais querido e admirado mestre foi Luiz Eça. "Aprendi muita música com ele. Era seu aluno de harmonia. Luizinho era genial também como professor. Pensava a harmonia de forma pouco usual e pouco ortodoxa. Há já tese acadêmica sobre seu método de ensinar harmonia, seu modo de pensá-la. Nada mais instigante e envolvente do que a maneira como Luizinho nos aproximava da música, de como nos fazia conhecê-la. Educava a inteligência musical. Educava a sensualidade necessária com que lidar, como músico, com a música. Luizinho me ensinou música, me ajudou a entender seus caprichos, como namorá-la e desposá-la. Mas foi meu professor, também, quando o ouvia nos discos do Tamba Trio de meu pai, nos outros todos em que era arranjador ou pianista e nas inúmeras vezes em que, desde pequeno, acompanhava como mascote os shows em que tocava com Robertinho Silva e Luiz Alves. Triângulo chamava-se o trio. Das máximas músicas que já ouvi. Importante, também, em minha vida, um outro professor de harmonia, homem que me ajudou a retornar o espírito completamente de volta para a música, depois de eu ter me envolvido por quase quatro anos com estudar física na USP: Gogô (Hilton Jorge Valente)."

Em relação ao auto-didatismo, Luís Felipe Gama não acredita que se aprenda coisa alguma completamente sozinho. "Mas, por outro lado, é sempre, em última instância, no diálogo consigo mesmo que se apreende algo, que se toma posse de qualquer capacidade ou conhecimento, acho eu. Ninguém me ensinou a compor, e muito do modo como penso que toco piano, ou improviso, não tem a ver estritamente com nada que tenha estudado ou me tenham ensinado diretamente mas, sem dúvida, as figuras de que falei se as perceberá nalguma medida em tudo o que eu fizer ao piano e compuser. Quero dizer, em tudo que aprendi por mim mesmo (o modo como compor, certo modo de pensar a improvisação, de pensar como acompanhar solistas etc.) aprendi sempre com ecos da minha experiência com esses meus professores e da experiência com os seus que cresci ouvindo e admirando."

Entre os músicos com que convive, Luís Felipe Gama destaca Robertinho Silva e Natan Marques entre os mais importantes para o músico que ele é hoje. Foi em um show de Robertinho Silva, na sala Guiomar Novaes, em São Paulo, que Luís Felipe estreou ao piano em música popular, aos 15 anos de idade. "Muito da minha pronúncia tem a ver com sua bateria e percussão; muito do que componho, componho ao som que escuto em mim de sua bateria". Natan Marques, "grande harmonizador, excelente músico e parceiro em algumas canções e em tantos shows, muito me influenciou na busca dos acordes que queria. Assim como Robertinho, tem com o fluir do tempo uma relação típica da mais profunda musicalidade das músicas populares das Américas. Imito o espírito desses dois nas suas relações com o tempo musical."

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