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Léa Freire
Léa Silvia de Carvalho Freire
* 26/02/1957 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjadora, compositora.
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Forma��o

O avô paterno de Léa Freire, que conheceu Heitor Villa-Lobos em uma de suas viagens de pesquisa, morava perto da fronteira de São Paulo com o Mato Grosso, tocava viola e assobiava em dois tons ao mesmo tempo. O pai, muito musical, tocava piano. E a mãe – que tem ouvido absoluto – é pianista, mas não seguiu carreira profissional.

 
Léa lembra-se de, aos quatro ou cinco anos de idade, tocar piano sentada no colo de sua mãe. Aos sete, começou a ter aulas de piano com uma professora alemã, que morava perto de sua casa no bairro do Brooklyn, em São Paulo, e ia de bicicleta. "Ela bateu na minha mão, uma vez, quando errei, e tomou um tapão de volta. Fim das aulas..."
 
"Depois, estudei com Ercília Boggi – professora da Escola Magda Tagliaferro – com a qual fiquei durante 11 anos. Ela conseguiu o milagre de me fazer passar em seis exames de final de ano, uma boa média pra quem só estudava durante a aula semanal."
 
Aos 16 anos, Léa Freire ingressou no CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical), escola criada e dirigida pelos integrantes do Zimbo Trio (Amilton Godoy, Luiz Chaves e Rubinho Barsotti). Lá, teve aulas com Amilson Godoy – o Tuca, pianista e irmão de Amilton – e com o maestro Cyro Pereira. "Ambos disseram que eu era muito preguiçosa e acabaram me abandonando."
 
Durante os anos de 1974/75, teve aulas de violão com Luiz Chaves. Quanto à flauta, teve uma ou duas aulas, primeiro com Hector Costita, depois o mesmo com Roberto Sion e, ainda, por volta de três aulas com Nestico Aguiar, quando achou que o que queria mesmo era tocar saxofone soprano. Mas o peso do instrumento e os calos na boca a fizeram desistir.
 
Foi, então, para os Estados Unidos, com a intenção de estudar durante quatro anos na Berklee Scholl of Music, em Boston. "Não gostei e depois de duas semanas fui embora para Nova York."
 
Em 1986, teve aulas de bateria com Leyve Miranda  na Groove Escola de Música, em São Paulo, e hoje tem aulas de percussão com Kleber Almeida, do Grupo Curupira.
 
Durante dez anos, Léa Freire cantou em corais com os maestros Jonas Christensen, Klaus Dieter Wolf e Samuel Kerr.
 
"Dois músicos foram os meus maiores professores na prática: Filó Machado e Guilherme Vergueiro, com os quais toquei e ensaiei bastante."
 
Dos métodos musicais que utilizava para estudar, lembra-se do de Carl Czerny, “Estudos para Piano” (Ed. Ricordi), e de Taffanel & Gaubert, "Método Completo de Flauta Transversal" (Ed. Irmãos Vitale)."Nunca fui muito boa em coisas repetitivas. Então, a prática foi adquirida na prática..."
 
De tudo o que aprendeu e praticou, o que lhe ficou de mais agradável e útil foi "a percepção musical, que comecei a fazer na época do ginásio, sem saber que estava estudando. Todos tínhamos que tocar flauta doce e eu gostei muito do instrumento. Durante as aulas de química, física, biologia, etc., ficava – de cabeça – 'tirando' as músicas, pensando nos intervalos com os nomes das notas. Durante o recreio, conferia com a flauta se havia 'tirado' a música corretamente e, depois, corrigia os intervalos errados durante as aulas seguintes. Raciocinava de meio em meio tom e isso me ajudou demais em toda a minha vida musical e me levou a uma forma de improvisação não baseada em escalas e clichês."
 
Ercília Boggi, Filó Machado, Guilherme Vergueiro e Luiz Chaves foram decisivos na formação de Léa Freire que cita, ainda, os compositores Claude Debussy, Fryderyck Chopin, Heitor Villa-Lobos e Johann Sebastian Bach como fundamentais em seus primeiros anos de estudo, "e todos os que vieram depois, sejam do rock, do jazz, da MPB ou de outros países.
 
"Com Filó Machado aprendi o balanço, a rítmica brasileira, a liberdade harmônica, a vontade de crescer musicalmente. Com Guilherme Vergueiro, a improvisação, as inúmeras possibilidades de um quarteto de piano, baixo, bateria e flauta. Mais tarde, foram muito importantes pra mim Arismar do Espírito Santo, pelo 'colo de mãe' nas bases harmônicas que, ao mesmo tempo, mudam sem parar, assim como com o Filó, e nos tornam mais 'afiados' na percepção; e Teco Cardosogrande parceiro – com quem aprendi que uníssonos são possíveis e que solistas podem conversar durante os solos."

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