Formação
O tio-avô paterno de Joel Nascimento era mestre de banda em Recife. “Meu pai gostava de música e ensaiava alguns acordes no cavaquinho. Meu irmão tocava violão.”
“As valsas-serestas ‘Sertaneja’ (de René Bittencourt) e ‘Flor do mal’ (de Santos Coelho), que o padrinho de minha mãe cantava acompanhando-se ao violão”, estão entre as lembranças musicais mais antigas de Joel.
“O meu despertar para a música veio em 1948 quando assisti ao filme ‘À Noite Sonhamos’ (dirigido por Charles Vidor), uma versão fantasiosa da vida de F. Chopin. O piano passou a ser o meu instrumento preferido, até os dias de hoje. O primeiro instrumento a chegar às minhas mãos foi um cavaquinho, que aprendi a tocar sozinho. Aos 15 anos, passei a estudar piano clássico e teoria musical.”
Joel estudou piano clássico e teoria musical com Max de Menezes Gil e, mais tarde, fez um aprendizado especial com Ian Guest.
“Estudei nos métodos tradicionais usados no aprendizado do piano.”
Para ele, o que ficou de mais útil deste período foi “o estudo de piano, que me levou à música clássica, juntamente com uma didática específica que me trouxe ensinamentos que aproveitei ao estudar outros instrumentos.”
Joel Nascimento cita Jacob do Bandolim como sua maior referência na sua formação de bandolinista e “na música em geral, destaco F. Chopin, entre outros.”
Os estudos de piano e de teoria musical firmaram a base necessária para que Joel se desenvolvesse sozinho em relação aos outros instrumentos que toca.
“No cavaquinho fui 100% autodidata. No bandolim, além de autodidata, usei alguns estudos de violino juntamente com métodos convencionais para o instrumento. Usei, também, a condução didática dos estudos de piano dando, assim, uma diretriz sólida aos estudos do bandolim. Aprendi, por mim, a usar sons, formas e efeitos que me conduziram a uma personalidade única no meu instrumento.”
Além de Jacob do Bandolim e F. Chopin, muitos outros músicos com quem Joel conviveu, e ainda convive, foram e são importantes para o músico que ele é.
“Aprendi muito na área clássica, ouvindo e tocando com grandes virtuoses do piano, flauta, violão e violino, entre outros. Os músicos de choro e o próprio choro contribuíram muito para minha formação musical. Tenho o costume de ouvir todo tipo de música. Convivi com Radamés Gnattali, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura, Norton Morozowicz, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Duo Assad, Abel Ferreira, Geraldo Vespar, Egberto Gismonti, Hamilton de Holanda, Raphael Rabello, Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, e Altamiro Carrilho, entre outros.”