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Roberta Valente
* 07/07/1970 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista.
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A família da mãe de Roberta Valente era formada por muitos músicos. Embora não os tenha conhecido, ela sabe que havia violinistas - entre eles, seu avô materno -, violonistas - sua mãe, por hobby -, cavaquinistas, flautistas e bandolinistas. Nenhum deles se profissionalizou. Seus pais e irmãos ouviam muita música, e Roberta cresceu conhecendo, por influência de sua mãe, choros, serestas, valsas, sambas de Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi e Paraguassu, os cantores Orlando Silva, Francisco Alves, Carmen Miranda e Roberto Carlos e música erudita. Seu pai ouvia muita bossa nova, Elis Regina e Vinícius de Moraes. O gosto musical de seus irmãos também acompanhou significativamente o caminho de Roberta: o mais velho ouvia rock pesado e progressivo e o do meio, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento. 
 
Sua lembrança musical mais antiga remonta aos sete anos de idade, na primeira série do curso primário: "Ensaiava a música "O circo", de Sidney Miller, em que cantava e tocava um tipo de ganzá. "
 
Na adolescência, Roberta Valente começou a pesquisar sobre música: "Tive várias fases. Durante uma época só ouvia os mineiros: Clube da Esquina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Lô Borges, Paulinho Pedra Azul. Depois comecei a ouvir Elomar e Xangai. Mais adiante, comecei a me aprofundar na obra de vários artistas, comprava todos os discos, sabia de cor todas as letras, todos os solos, tudo: Caetano Veloso, Rita Lee, Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Gal Costa, Beth Carvalho, Paulinho da Viola... Tive, ainda, uma fase de paixão pelo Pará: só ouvia e pesquisava a música de lá, terra musicalmente riquíssima. Comprava tudo que podia e tenho hoje um acervo digno de colecionador. Dediquei-me a Noel Rosa - numa época em que não havia quase nada dele em CD - e, ao lado de meu grande parceiro musical, o pesquisador e músico Roberto Lapiccirella, passava o dia ouvindo histórias e descobrindo raridades. Fomos procurar o início de tudo."
 
Sob a coordenação do pesquisador, escreveram juntos o livro "Antologia Musical Popular Brasileira - As Marchinhas de Carnaval" (Ed.Musa). Boa parte da pesquisa de Roberta Valente e Roberto Lapiccirella pode ser lida em www.geocities.com/aochiadobrasileiro, e no blog de Roberta, www.saocoisasnossas.blogspot.com .
 
Paralelamente às suas pesquisas, Roberta Valente entrou para o grupo Bola Preta e foi sendo convidada a tocar em várias outras formações de choro. "Nessa época eu tocava no Bom Motivo Bar (que era do Roberto Lapiccirella), no qual tínhamos, às sextas-feiras, o projeto ‘Cantando e Contando’, cuja finalidade era divulgar a vida e a obra de grandes nomes da música brasileira. Tocávamos, cantávamos e contávamos as histórias. O bar lotava, foi muito interessante. O primeiro que fizemos foi sobre Noel Rosa, depois vieram muitos outros, além de especiais como  ‘Nas trilhas do baião’, ‘A história dos Festivais’, ‘A música italiana’ e ‘A cidade de São Paulo’, entre outros."
 
Roberta Valente estudou violão por alguns anos, com professores particulares e em escolas, além de freqüentar aulas no Clube Palmeiras. Ficou, certa vez, em primeiro lugar num concurso entre trezentos violonistas, no início da década de 1980. O prêmio foi um violão Gianinni, o melhor modelo da época.
 
A musicista, que formou-se em Letras pela PUC-SP em 1997, aprendeu percussão de forma predominantemente autodidata, mas fez algumas aulas com amigos. Cavaquinho, aprendeu com Joãozinho Torto, com Fabrício Rosil e com Arnaldinho do Cavaco, da loja de instrumentos Contemporânea (n. e.: localizado no centro de São Paulo, o espaço promove, tradicionalmente aos sábados, uma famosa roda de choro nos fundos da loja).
 
Dos métodos que utilizava em seus estudos, Roberta lembra-se apenas de um livro para violão que ensinava por cores e por números, e das revistinhas  "Violão e Guitarra" (Ed. Imprima), com as quais tocava o dia todo. Os rudimentos do pandeiro foram ensinados por um amigo, músico amador, "que uma vez me mostrou como roçar, dizendo: ‘é só você fazer um, dois, três, quatro na mesa, na escola, no carro, onde você estiver’. Eu ia pras aulas no colégio e depois pra faculdade, sempre batucando no colo, na mesa, no caderno. Passei a acompanhar os discos, e assim foi."
 
Ser autodidata marcou profundamente a trajetória de Roberta Valente. "Aprendi tudo sozinha, seguindo as influências dos meus amigos músicos. Copiando, imitando, olhando, perguntando, pesquisando, ouvindo, ouvindo, ouvindo, dia e noite. Alguns dos maiores músicos que conheço aprenderam a tocar sozinhos. O bar foi minha maior escola, foi no bar que aprendi tudo. Lá, sofri mil influências de músicos de todo tipo. Pra mim, a maior escola de música do mundo é a noite, e o bar."
 
O multi-instrumentista Milton Mori e o violonista José Roberto da Silva, o Zé Barbeiro, foram figuras decisivas na formação musical de Roberta Valente: "Meus maiores mestres são perfeccionistas e geniais, com eles aprendi tudo." Stanley do Clarinete é outra grande referência. "Com ele aprendi a tocar com o coração. Temos em comum o profundo amor e o respeito pela música. São muitos os nomes, mas cito também Marcelo Gallani, pra mim o melhor pandeirista de choro de São Paulo, minha grande influência."

 

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