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Eli-Eri Moura
* 30/03/1963 Campina Grande, PB, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, professor.
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Eli-Eri Moura nasceu em uma família seguidora de um costume do interior de Pernambuco e Paraíba que deu ao Brasil alguns de seus melhores músicos: todos os filhos deveriam aprender um instrumento musical. 

“Na visão educacional de meu pai, alfaiate profissional, o estudo da música era indispensável. Assim, todos os seus sete filhos aprenderam a tocar pelo menos um instrumento. Ele mesmo era regente do coral da igreja e tocava violino e bandolim. Minha mãe cantava. Seguindo a tradição, todos os netos e bisnetos foram educados musicalmente”.
 
As primeiras lembranças musicais de Eli-Eri compõem um mosaico do cotidiano da vida familiar e envolvem uma relação ativa com a música. “Minhas lembranças remontam às apresentações do coral que meu pai regia. Eu tinha uns seis anos e cantava a parte de soprano com as mulheres. E sempre havia reuniões musicais em casa, quando toda a família se encontrava para tocar e cantar. Junto a isso, tenho vívidas lembranças de melodias que comecei a compor desde então...”
 
O pai foi o primeiro professor de música. Daí em diante, Eli-Eri seguiu um percurso exemplar.
 
Meu pai me ensinou as primeiras notas quando eu era muito pequeno. Aos sete anos, comecei a estudar com um professor particular pois, em minha cidade, Campina Grande, não havia uma escola formal de música na época. O professor era um seresteiro chamado Júlio, não lembro o sobrenome. Logo em seguida, passei a aprender piano com a pianista da igreja de minha família, Raquel de Brito Lyra. Ainda em Campina Grande, estudei com Mércia Gouveia, uma ex-aluna de José Alberto Kaplan. Na mesma época, comecei a tocar flauta doce de forma autodidata. Antes, tocava uma espécie de pífano de lata, vendido na famosa feira de Campina Grande. Meu primeiro contato com uma escola de música foi aos 13 anos, no Conservatório do ENA, Educandário Nordestino Adventista, no interior de Pernambuco, onde estudei piano, flauta doce e clarinete, este com um americano chamado Henry Bennet. De volta à Campina Grande, estudei violino, com Antônio Nóbrega e Euclides Cunha, e flauta doce com Romero Damião em cursos de extensão do recém fundado Departamento de Artes da UFPB, hoje UFCG” (Universidade Federal de Campina Grande).
 
Tudo isso Eli-Eri fez até o início da adolescência. Antes dos 17 anos, fez sua escolha e seguiu para a capital, João Pessoa, na intenção de prosseguir os estudos de piano. Foi o início de uma longa jornada que chegou até o extremo da América do Norte.
 
“Fui estudar com Gerardo Parente, em João Pessoa. Aos 17 anos, em 1981, entrei no Curso de Bacharelado em Música da UFPB, também em João Pessoa, onde estudei piano com Myriam Ciarlini, e outras disciplinas com importantes professores: José Alberto Kaplan, harmonia; Clóvis Pereira, harmonia; Ilza Nogueira, análise; Wolfgang Groth, regência; Luís Oliveira Maia, contraponto. Didier Guigue, estética. Na época do bacharelado, tive minhas primeiras aulas de composição, particulares, com José Alberto Kaplan. Participei de vários cursos de férias em Brasília e Teresópolis, onde tive aulas de flauta doce com Elder Parente, regência com Cláudio Santoro e Mário Ficarelli, composição com Christopher Bochmann e outros. Depois do bacharelado, segui estudando em nível de pós-graduação, com a especialização em Música do Século XX, na UFPB, com orientação de Ilza Nogueira, e professores como Aylton Escobar e Jamary Oliveira. O primeiro curso formal em composição foi no mestrado, que realizei no Canadá, em Montreal - para onde me mudei em 1989 - na McGill University. Meu orientador no mestrado foi o compositor argentino-canadense Alcides Lanza. O passo seguinte foi o doutorado em Composição, também na McGill University, com dois orientadores: John Rea e Brian Cherney”.
 
Desse intenso período de formação, Eli-Eri destaca alguns métodos.
 
“Lembro que, no início da formação com Mércia Gouveia, a abordagem era tradicional, com estudos de Czerny, Chopin, etc. A parte de teoria musical foi vista de forma direta com os primeiros professores, sem ajuda de um manual. O primeiro livro de teoria foi o de Maria Luiza Priolli (“Princípios Básicos de Musica para a Juventude”, Ed. Ricordi), estudado somente quando ingressei no Conservatório do ENA. Os primeiros estudos formais de harmonia foram com o excelente método particular de José Alberto Kaplan (não publicado). No mais, a lista é infindável, passando por todos os tradicionais: Fux (“The Study of Counterpoint from Gradus ad Parnassum, Ed. Barnes e Noble), Schoenberg, harmonia (“Harmonia”, Arnold Schoenberg, Ed. Unesp), Grout, história da música (“História da Música Ocidental”, David J. Grout e Claude V. Palisca, Ed. Gradiva), Hindemith, harmonia (“Treinamento Elementar para Músicos”, Paul Hindemith, Ed. Ricordi)”.
 
Diante da pergunta sobre os aspectos mais úteis e mais agradáveis de seu aprendizado, a resposta de Eli-Eri permite que a música é a vida. “Esta é uma pergunta difícil porque o meu estudo de música, que continua de forma incessante, se confunde com a minha própria vida. Ele ocorre desde que me entendo por gente. De certa forma, aprendi a viver com a própria música... Realmente, complicado...”.
 
“Várias pessoas foram decisivas em minha formação, mas destaco José Alberto Kaplan, que me ajudou a conseguir uma formação sólida em matérias essenciais como harmonia, contraponto, forma, etc. Meus três orientadores no mestrado e doutorado, Alcides Lanza, John Rea e Brian Cherney também foram fundamentais em questões referentes à exploração de novas abordagens estéticas. Com José Alberto Kaplan aprendi a importância da disciplina, do estudo aprofundado dos assuntos abordados, da relevância de estar firmado sobre uma formação musical sólida e de ir até o cerne das questões; Alcides Lanza, John Rea e Brian Cherney me ajudaram a descobrir e ter consciência do meu próprio caminho estético-musical.”
 
O entendimento do autodidatismo em sua formação traz uma abordagem original de Eli-Eri, que o considera como a fonte de sua curiosidade sobre música precedendo toda a busca de orientação. “Em todas as etapas de minha formação musical, de certa forma, avancei sozinho nas mais diversas áreas antes de ter contato com professores. Assim foi com os instrumentos, com harmonia, contraponto, orquestração e, principalmente, composição. Minhas primeiras composições datam de quando eu tinha uns sete anos. Prossegui compondo sem orientação até o primeiro contato com José Alberto Kaplan, quando já estava no bacharelado em piano. O processo autodidata se deu através de um intenso estudo da pouca literatura disponível para mim, e, principalmente, através da escuta de discos, a partir da qual tentava imitar o estilo de diversos compositores, dentre eles Bartók, Hindemith, Bernstein, Schostakovich, e depois Lutoslawski e Ligeti”.

 

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