Forma��o
O pai e a mãe de Ian Guest eram pianistas e educadores musicais. Do lado paterno havia, também, alguns músicos amadores na família.
“Nasci entre duas salas de aula de música, nas quais meus pais lecionavam simultaneamente. Ao chegar em casa, recém-nascido, meu pai tocou ao piano a única música que compôs na vida, dedicada a mim. Antes de aprender a falar, fiz uma música com onomatopéias, imitando a fala húngara, com seis compassos, repetindo ‘ad infinitum’ e marchando. A próxima composição, aos seis anos, era um tema com três variações inspirado nas pecinhas de piano das aulas à minha volta.”
Ian Guest começou a tocar aos seis anos de idade, aprendendo violino, que estudou até os 12. Dos 12 aos 16 anos, teve aulas de piano e, a partir dos 14, começou a se preparar para o curso de composição no Conservatório Béla Bartók, em Budapeste. No entanto, em 1956, aos 16 anos, com a revolução na Hungria, teve que fugir do país e emigrou para o Brasil. Aqui, formou-se em composição na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1973, com os professores José Siqueira e Henrique Morelenbaum, e em Boston, na Berklee College of Music, tornou-se bacharel magna cum laude em composição, em 1979.
Ian Guest lembra-se de todos os métodos e livros utilizados em seu processo de aprendizado. “Sempre me interessei pelos caminhos didáticos e o meu forte sempre foi o ouvido, a leitura, o ditado e não o instrumento.”
De todo o seu aprendizado o que lhe ficou de mais útil foi o entendimento de que “o professor ensina mais do que sabe e, através do ensino, aprende mais do que ensinou. Minhas aulas e livros autorais, aprendi com meus alunos.”
Decisivos em sua formação musical foram “meu pai, que me ensinou a relação lúdica com a música – conhecer música não elimina o tocar de ouvido; José Siqueira, que me ensinou música brasileira; Henrique Morelenbaum, que me ensinou a música eclética; Dean Earl e Herb Pomeroy, que me ensinaram jazz.”
Em que pese sua extensa e formal formação, Ian Guest se declara autodidata em “tudo”. “Só merece estudar quem aprendeu. Estudar pressupõe ferramenta e o aprendizado é feito essencialmente por esforço próprio. O exemplo vivo disso é a língua nativa, que você só pode estudar depois de ter aprendido.”
Dos músicos com quem conviveu e convive, Ian faz a lista daqueles que foram importantes para o músico que ele se tornou: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Raul Seixas, Toninho Horta, Milton Nascimento, João Gilberto, João Donato, Marcos Valle, Roberto Menescal, Flávio Venturini, Guinga, Wagner Tiso, Egberto Gismonti. “Todos meus amigos pessoais.”