Forma��o
"Eu tenho a sorte de ter nascido em uma família musical. Meu avô, pai do meu pai, era trompetista. Meu tio, irmão do meu pai, era saxofonista. Meu pai é violonista, e nascemos eu e meu irmão músicos. Fernando César, meu irmão, toca violão 7 cordas."
Com tantos músicos na família não é de se estranhar que as lembranças musicais mais remotas de Hamilton de Holanda estejam ligadas à ela. "Meu pai adorava tocar violão e cantar pra gente. Me lembro da música em minha casa como me lembro das relações com minha família, do Natal, dos almoços e jantares, de brincar. Lembro disso tudo junto."
Com tudo isso, também é normal que o menino tenha começado a tocar e a estudar música muito cedo. "Comecei a tocar aos três anos de idade. Tocava cornetinha de brinquedo, e logo ganhei uma escaleta. O bandolim foi um presente de Natal, quando eu tinha cinco anos. Logo, aos seis anos, comecei a estudar música."
Assim como Jacob do Bandolim, o primeiro instrumento que Hamilton estudou foi o violino.
"Comecei estudando violino na Escola de Música de Brasília, já que não tinha professor de bandolim e o violino era o instrumento que mais se aproximava do bandolim por ter a mesma afinação. Tive vários professores na Escola de Música de Brasília. Fora da Escola, estudei com o professor Everaldo Pinheiro. Estudei uns cinco anos de violino, depois passei para o violão, com um professor que foi muito importante na minha formação, Paulo André Tavares. Eu devia ter uns 14 anos, foi o momento da descoberta da linguagem harmônica. Passada a adolescência, entrei para o curso de composição na Universidade de Brasília, onde me formei em 2001. Alguns dos meus professores: Bohumil Med, Sérgio Nogueira, Ricardo Dourado, Jorge Antunes."
De todos os métodos que Hamilton utilizou em seus estudos, ele lembra-se bem dos livros de Bohumil Med ("Teoria da Música", "Solfejo" e "Ritmo", Editora Musimed, DF), de Paul Hindemith ("Curso Condensado de Harmonia Tradicional", Editora Irmãos Vitale), de "O Cravo Bem Temperado", de J. S. Bach, e de "Harmonia" (Editora UNESP), de Arnold Schoenberg, "e muitos outros".
Mais do que exemplificar o que lhe ficou de útil e agradável em sua formação, Hamilton prefere aconselhar: "Olha, aprendi tanta coisa que é difícil dizer o que é mais útil, mas em determinados momentos da minha vida, me deparo com coisas que vi em minha época de estudante. O principal pra mim é ter a cabeça aberta e o senso crítico apurado, com referências de vários estilos pra se ter um resultado musical de alto nível. E pra quem quer entender e sentir a música, tudo junto, sugiro que aprenda a tocar, pelo menos, um instrumento rítmico, um harmônico e um melódico."
Para Hamilton, seu pai, José Américo, foi a figura decisiva em sua formação musical. "Por tudo."
Quanto ao autodidatismo, o músico tem uma posição muito clara sobre os dois ângulos que o envolvem.
"Esta é uma questão de interesse nacional. Não gosto da cultura do autodidatismo que existe no Brasil. Isso faz o país atrasar. Mas, sendo mais específico, aprender música de ouvido, na minha formação, foi fundamental. As primeiras músicas que aprendi (choro), foram dessa forma, e confesso, acho que a melhor forma para se começar a aprender música é essa, de ouvido. Além disso, como não havia escolas de choro, eu aprendi a nossa música mais genuína nas rodas. É uma questão de opção. Se você quer ser músico teórico, um musicólogo, estude e crie teorias. Se você quer tocar, compor, arranjar, aprenda na rua e na academia. Essa foi a minha opção."