Forma��o
Apesar de considerar a música como parte da formação dos filhos, os pais de Gilson Antunes nunca viram com bons olhos a profissão de músico. "Minha irmã mais velha estudou piano erudito e chegou a dar aulas. Meu irmão mais velho estudou violão junto comigo no Conservatório Musical Mário de Andrade, mas se formou engenheiro na USP. Meu avô por parte de pai era um artista amador em Andradina, interior de São Paulo e, segundo dizem, tocava violão, bandolim e instrumentos de sopro, todos de ouvido. Era boêmio e morreu jovem. É a única referência musical, mesmo que vaga, que há em minha família. Meus pais nunca viram com bons olhos a minha profissão de músico, até o momento em que passei no concurso para professor de violão na Universidade Federal da Paraíba e me tornei funcionário público, apesar de seguir minha carreira como concertista e pesquisador."
As lembranças musicais mais antigas Gilson remontam ao fim dos anos de 1970, em São Paulo: "Lembro-me bem da época da discoteca e dos primeiros shows de rock no Brasil e, também, da MPB do final da década de 1970 e do início da década de 1980, que marcou minha infância tanto quanto o rock. Música clássica, apenas no conservatório a partir de 1982, já com o violão."
Gilson Antunescomeçou a estudar música tocando flauta e bandolim na Igreja de Santa Madalena, em São Paulo, em 1981. No ano seguinte iniciava-se no violão clássico, primeiramente com Carlos Fernandes,por cinco anos. Entrou para o Conservatório Musical Mário de Andrade, ali permanecendo de 1987 a 1989, vindo a freqüentar por um ano a faculdade São Judas Tadeu. O curso foi encerrado e o músico transferiu-se para a UNESP, onde estudou com Giácomo Bartoloni durante os quatro anos de bacharelado, de 1991 a 1994. Após concluir o curso, fez especialização em violão erudito com Robert Brightmore na Guildhall School of Music and Drama, em Londres, Inglaterra, "mas o principal professor que tive foi Fábio Zanon, que me deu aulas durante um ano somente, em 1990, mas que mudou minha vida musical e moldou minha concepção artística para sempre."
No início de seus estudos, Gilson Antunes usou os métodos de Isaías Sávio, Mário Rodrigues Arenas e Antonio Sagreras. "Estudei técnica violonística apenas no início, quando criança, mas peço a meus alunos que estudem técnica pura diariamente. Sempre li tudo o que encontrava pela frente, sempre tive muita curiosidade por todo o repertório violonístico, o que me deixou com uma boa leitura à primeira vista. Li também todos os livros sobre violão que estiveram ao meu alcance, e meu arquivo violonístico - livros, CDs e DVDs - é um dos maiores do Brasil por causa dessa minha curiosidade."
De tudo o que estudou, o que ficou de mais importante para o instrumentista - e de onde vem seu gosto pela pesquisa - foi sua curiosidade em aprender tudo o que não sabia a respeito da música e do violão em geral.
As figuras decisivas na formação musical de Gilson Antunes foram Fábio Zanon, "por incentivar minha curiosidade a respeito de todo o repertório violonístico - principalmente o pouco tocado - e por uma saudável obsessão pelo instrumento" e Paulo Castagna,"por me ensinar a pesquisar seriamente sobre a história do violão no Brasil, principalmente no que diz respeito ao resgate histórico de compositores, instrumentistas. E pelo repertório, sem preconceito."
Quanto ao aprendizado autodidata em sua formação musical, o instrumentista diz: "Aprendi violão popular sozinho quando era criança, vendo as aulas particulares do meu irmão mais velho. Acho que autodidatismo é o que não falta aos músicos: é tudo o que não aprendemos com professores e escolas. Sempre há o que conhecer em relação à música, e há muito o que se estudar em termos de violão, incluindo sua história e seu repertório."
Gilson Antunes considera ter aprendido com todos os seus professores, com todos os seus amigos e, diariamente, com seus alunos na universidade. "Os mais importantes, entretanto, foram Fábio Zanon e Robert Brightmore, o primeiro pela saudável obsessão e o último, principalmente, por colocar meus pés no chão e saber caminhar no tempo certo."