Forma��o
Nazareth foi apresentado à música e ao piano por sua mãe, Carolina Augusta da Cunha, pianista que gostava de interpretar Chopin, Beethoven, e as polcas de salão.
Com ela, Ernesto teve as primeiras aulas de piano e solfejo.
"É herança de minha mãe, que chegou a causar admiração aos professores da época, sem nunca ter tido mestres. Digo herança, porque também eu me fiz autodidata, e certo que por força das circunstâncias.” (entrevista de Nazareth ao jornal Folha de Noite, de São Paulo, em 1924)
Quando a mãe faleceu, Nazareth tinha apenas 11 anos. Por um breve tempo, que não chegou a dois anos, estudou com um pianista amador chamado Eduardo Madeira, e que logo se confessou incapaz de dar prosseguimento aos estudos do jovem Ernesto. Estávamos em meados da década de 1870.
“Lições só recebi oito em minha vida, as de um professor francês, que, durante a minha mocidade, viveu aqui no Rio de Janeiro. Também, depois disso, nunca mais tive quem me ensinasse a tocar e muito menos a compor” (da mesma entrevista concedida à Folha da Noite, em 1924)
Por volta dessa época, Nazareth havia composto apenas cinco músicas.
E esse professor “francês” [Lucien Lambert] era, na realidade, um pianista negro nascido em Nova Orleans, nos Estados Unidos – o berço do ragtime e, posteriormente, do jazz. Lucien resolvera migrar para o Brasil. Tocava tanto no estilo de salão quanto no estilo pianola, mais aparentado da música sincopada dos negros americanos.
A exemplo dele, Louis Gottschalk, também nascido em Nova Orleans, também migrara para o Brasil (é o autor de uma conhecida “Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro”). Gottschalk é conhecido por haver antecipado o ragtime em algumas décadas, tendo influenciado compositores como Scott Joplin, com quem Nazareth costuma ser comparado. Uma das características da obra de Gottschalk é o uso de muitas síncopes e ritmos incomuns na música européia. No acervo de Nazareth, foram encontradas 30 partituras de Gottschalk.
Aos clássicos, que vieram da convivência com a mãe, e à música de Nova Orleans, com o professor Lucien e o contato com Gottschalk, a formação de Nazareth incorporou também a nascente música do choro, que se ouvia nas ruas do Rio de Janeiro, e que absorveu através do convívio com Callado, Paulino Sacramento e Viriato.
Estava pronto o mosaico que desaguaria na sua obra de compositor.
(Esta seção do verbete se baseia no ensaio “Influências na obra pianística de Ernesto Nazareth”, de Alexandre Ferreira de Souza Dias, disponível na seção de Ensaios da Enciclopédia.)