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Edmilson Capelupi
Edmilson Capelupi
* 24/09/1962 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

 

O pai, Haroldo, aposentado como trabalhador gráfico, toca cavaquinho muito bem e só não seguiu a profissão por exigência da mãe. Mas realizava muitas rodas de choro em casa e Edmilson, além do rádio que ouvia sempre, aprendeu muita música assistindo ao pai e a seus amigos nessas rodas.

"Aos 13 anos comecei a estudar contrabaixo e, depois, passei para o violão de 7 cordas. Mas, na época, não tínhamos o instrumento e então meu pai, que havia ganho um violão de 6 cordas, o adaptou tirando a primeira corda, o Mi grave. Ou seja, o violão ficou com as 7ª, 6ª, 5ª, 4ª, 3ª e 2ª cordas e os acordes ficavam incompletos... Depois de um ano e meio tocando assim, meu pai me deu um violão Di Giorgio de 7 cordas. Que diferença! Mas só aos 18 anos é que passei a estudar música com mais regularidade."
 
Edmilson Capelupi aprendeu e estudou com os "professores" que escutava nos discos que tinha em casa. Se este aprendizado informal teve, no início, a ajuda do pai, a escolha pelo violão o fez seguir com suas próprias pernas, ou melhor, com seu próprio ouvido.
 
"Eu considero que ouvir música e tirá-la de ouvido é um aprendizado indispensável para um bom músico. Fiquei grande parte daqueles anos tirando músicas de ouvido, no começo com o auxílio de meu pai e depois sozinho. Uma vez, ouvindo uma gravação do choro 'Ainda me recordo', de Pixinguinha, levei um susto agradável com o violão de 7 cordas fazendo uma introdução absolutamente mágica. Foi naquele momento que me decidi definitivamente pelo violão."
 
O violão de 7 cordas que assombrou Edmilson era tocado por ninguém menos do que Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas.
 
Seguindo com sua informal formação, Edmilson arrumou um jeitinho de tocar junto com os discos que ouvia.
 
"Nesse meio tempo, também toquei bandolim, contrabaixo e pandeiro (este último é mais uma paixão). Então, descobri um jeito de gravar junto com o disco como se fosse mais um músico: por exemplo, se em determinada faixa não houvesse pandeiro, eu perdia um canal do estéreo mas 'participava da gravação'; fiz isso com violão, também, por várias vezes e sem saber que estava praticando o que iria usar mais tarde na minha vida profissional. Quando me senti com mais domínio do contrabaixo, pedi ao meu pai para tocar com eles nas rodas de choro e fui atendido. Havia um alfaiate cantor, de nome Geraldo, que comentou que eu fazia coisa demais no contrabaixo. E ele estava certo; eu já estava estudando violão de 7 cordas e, depois de um tempo, passei a participar das rodas como violonista.
 
Um livro de harmonia que me ajudou muito na época foi escrito pelo violonista Paulinho Nogueira, 'Método Paulinho Nogueira para Violão e outros Instrumentos de Harmonia'." (J. Quadros Editores Culturais, 1968).
 
Para um músico em formação, que tudo o queria era tocar onde fosse, como fosse, "tudo era agradável: ouvir, tirar, tocar junto, a parada para o cafezinho (às vezes minha mãe fazia uma sardinha frita), o fim da roda de choro, esperar ansiosamente pela roda seguinte, comprar discos, descobrir novos choros. O que mais uso até hoje são essas lembranças de fazer música com o prazer de um iniciante, aquela pessoa que espera pela hora de tocar, pelo dia em que se reúne com os amigos para fazer boa música."
 
E se houve alguém decisivo nesta formação, "sem dúvida, meu pai foi importante, mas quem me indicou a direção foi Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas. Foi o violonista que me surpreendeu naquela gravação de 'Ainda me recordo'. Ele foi e é o maior violonista nesse estilo, incomparável, único. Na época, eu comprava discos de acordo com a ficha técnica; se não tivesse o Dino, não comprava. Mais tarde, surgiu o grande Raphael Rabello, que também me influenciou por sua junção de solo e acompanhamento."
 
"Toquei com vários músicos maravilhosos que me mostraram o seu olhar da música e da vida, e que me influenciaram muito. Cito alguns: Antonio Nóbrega, Toninho Carrasqueira, Edson Alves. Porém, há outros que não conheci mas, quando ouço suas obras, me levam a um êxtase total e, de alguma forma, regem a minha música: Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Dino Sete Cordas, Radamés Gnattali."

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