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Edelton Gloeden
Edelton Gloeden
* 19/06/1955 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, professor.
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Formação

Na casa de Edelton Gloeden não havia músicos, mas a música sempre fez parte do cotidiano da família. “Lembro do velho aparelho hi-fi do meu pai, a sua pequena coleção de LPs de 33rpm, em que predominava a música popular brasileira da era da Rádio Nacional. As festas em que meu pai cantava e tocava pandeiro com amigos. Minha mãe cantarolava canzonettas napolitanas e trechos de óperas. Em 1965 ganhamos um violão Di Giorgio modelo “Signorina”, trazido pelo meu pai com grande entusiasmo”

A chegada do violão determinou um novo rumo para a vida do garoto. Pouco tempo depois, aos 11 anos de idade, Edelton começou a estudar música. “Começei a estudar o chamado violão clássico na Escola Livre de Música, no bairro de Vila Formosa, zona leste de São Paulo, com Roberto Dalla Vecchia, na época um aluno de Henrique Pinto”.
 
Em 1969, foi ter aulas com o próprio Henrique Pinto. O curso durou cinco anos e abriu várias portas para Edelton, que aproveitava as férias de inverno para continuar os estudos. “Participei dos Seminários Internacionais de Violão Palestrina, em Porto Alegre, em 1972, 1974 e 1975. Ainda em 1972 trabalhei, durante todo o mês de julho, violão com o argentino Jorge Martinez Zarate, princípios harmônicos e interpretação com o uruguaio Guido Santórsola e composição com Marlos Nobre. Em 1974, novamente durante julho, estudei violão com Abel Carlevaro e princípios harmônicos e interpretação com Guido Santórsola, ambos uruguaios. Já em julho de 1975 fiz o concurso do Seminário Internacional, ficando em terceiro lugar. Com Santórsola, Carlevaro e Fernández trabalhei também em São Paulo, em pequenos seminários”.
 
Edelton tem formação superior em música. Fez o curso de graduação na Faculdade Carlos Gomes. Seu mestrado em musicologia e doutorado em artes foram feitos na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
 
De todos os métodos que utilizou, Edelton destaca os dois do início de seus estudos: “Attilio Bernardini – Lições Preparatórias” (Ed. Vitale) e “Isaias Sávio – Escola Moderna do Violão, vols. I e II” (Ed. Ricordi Brasileira).
 
Edelton define a essência de tudo o que aprendeu como “dominar o instrumento e entender a linguagem da música, à medida em que vencia as etapas propostas pelos professores”.
 
Aluno atento que sempre foi, Edelton soube tirar o máximo das lições reconhecendo a importância de seus mestres. Dalla Vecchia, pela paciência, incentivo e pela abertura de encaminhar-me a Henrique Pinto. Este, por sua vez, não somente foi um professor carismático e exigente, mas também principal conselheiro por muitos anos. Deu-me livre acesso a seus arquivos e também aos seus instrumentos. Das experiências de Porto Alegre, destaco a visão otimista da vida e da profissão transmitida por Jorge Zarate. Por outro lado, Guido Santórsola e Abel Carlevaro foram essenciais pelo rigor das abordagens, pela idéia de sempre estar atento às novas situações, pela possibilidade de encontrar caminhos próprios e pela necessidade imperiosa de auto-crítica construtiva. Já Eduardo Fernández era um exemplo a ser seguido, uma inteligência superior que domina plenamente a linguagem musical no fazer, pensar e transmitir”.
 
Edelton estabelece uma interessante relação entre a formação acadêmica e o autodidatismo como processos complementares e dinâmicos. “Posso afirmar que me tornei autodidata depois da orientação dos mestres. Há uma outra parte da formação que cabe exclusivamente ao próprio músico desenvolver. Para mim, esta parte foi o convívio com músicos fora do âmbito do violão, uma boa parte da vida assistindo a concertos, ouvindo rádio, fazendo audições as mais variadas com partituras, e o processo sem data marcada para terminar de aprender e ensinar”
 
Dos violonistas com quem conviveu, Edelton destaca Sérgio Abreu, Abel Carlevaro, Eduardo Fernández, Paul Galbraith e Álvaro Pierri como aqueles com quem mais aprendeu.
 
Ele faz questão de incluir em sua lista outros músicos que marcaram sua formação: Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Philippe Manoury, Sérgio Magnani, Guido Santórsola e José Eduardo Martins.
 
“O aprendizado foi a busca do conhecimento, de um estilo próprio e natural de expressar-me musicalmente, e o equilíbrio entre razão e imaginação”

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