Formação
Não há outros músicos profissionais na família de Dino Barioni, mas, segundo lhe contam, sua bisavó paterna, "uma baiana ex-escrava, às vezes tocava uma violinha pra distrair."
Suas lembranças musicais mais antigas são as raras vezes em que, quando criança, ouvia no rádio músicas de que seus pais gostavam, "geralmente, temas caipiras e algo de MPB. Meu pai ouvia discos de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, então sempre ouvi isso na infância. E sempre quando tocava alguma música instrumental, como o choro, eu ficava ligado."
Aos nove anos, Dino Barioni já tocava, na viola, o repertório que seu pai apreciava. "Ele trazia duplas caipiras em casa e eles me ensinavam um dedilhado aqui, outro acorde ali."
Aos 12, estudou violão clássico e aprendeu um pouco de teoria, e aos 15, começou a tocar guitarra. Aos 19, na Fundação das Artes de São Caetano do Sul (SP), estudou teoria e instrumento e conheceu "o universo do jazz. Ali, desenvolvi muito do que sei hoje."
Dos livros que utilizava em seus estudos, recorda-se de "Método Completo para Divisão Musical" (Ed. Irmãos Vitale), de P. Bona, "Guia Teórico e Prático para o Ditado Musical - Partes 1 e 2" (Ed. Ricordi), de E. Pozzoli, "Iniciação ao Violão" (Ed. Ricordi - 2 volumes), de Henrique Pinto, e "A Escola de Tárrega" (Ed. Irmãos Vitale), de Osvaldo Soares. "Para guitarra, na maioria das vezes, eu mesmo fazia os exercícios e transcrevia muita coisa de ouvido."
Daquilo que aprendeu, o que ficou de útil da primeira parte de sua vida musical foi a música caipira, que trouxe a Dino Barioni sua maneira bem brasileira de tocar. "O choro, que sempre ouvi, e o jazz, com sua riqueza harmônica, me ajudam a pensar tanto para tocar como para arranjar e produzir meus trabalhos."
Na viola caipira, que estudou até os 20 anos, Dino criava sozinho todos os exercícios de técnica. "Eu pensava em utilizar ao máximo todos os dedos das mãos, principalmente os da esquerda, sem desequilíbrio. Então, exercitava os dedos mais fraquinhos, o mínimo e o anelar. Imaginava frases e arpejos pra desenvolver velocidade e precisão. Depois, com a guitarra, já tinha esses exercícios prontos, e daí, criava idéias para palhetadas da mão direita."
Dos músicos com quem conviveu e convive, um dos mais importantes para Dino Barioni foi João Cristal, pianista e arranjador que o convidou pra formar um grupo instrumental. "Na época eu tinha uns 20 anos, ele uns 35. Com ele aprendi a como me portar enquanto um solista desenvolve as frases, a maneira de conduzir o ritmo e a desenvolver arranjos para o grupo."
O músico cita, ainda, o maestro e arranjador Cyro Pereira: "Certa vez ele começou um curso de arranjo na ULM (Universidade Livre de Música, em São Paulo). Foram poucas aulas que ele deu, acho que um mês somente, mas as dicas que ele passou sempre me servem: como ler claves imaginárias numa grade de orquestra para não se confundir com as transposições na hora de falar com algum instrumentista, e a dedicação que um músico deve ter, ou seja, estudar muito para desenvolver algo bom."