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Dininho
Horondino Reis da Silva
* 20/03/1949 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Forma��o

 

Filho de Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas, violonista extraordinário, que criou uma linhagem nobre ao inventar um sobrenome para si e para seus seguidores, Dininho já nasceu em meio à música.
 
"Até onde eu pude saber, meu avô paterno tocava um pouco de violão, sem ser profissional e, por essa influência, meu pai começou a tocar também, por volta dos oito anos e, aos 15, já fazia shows com o cantor Augusto Calheiros. Para meu orgulho como filho, foi assim que começou a história musical de um dos maiores gênios do violão de 7 cordas do mundo."
 
As lembranças musicais mais antigas de Dininho estão ligadas aos discos de 78 rotações que seu pai levava pra casa, não só com suas próprias gravações, mas também discos de Ray Charles – "eu adorava as orquestrações" – e da orquestra de Ray Conniff – "espetacular".
 
Para quem era filho de um "chorão", Dininho ligou-se definitivamente à música de um jeito inusitado.
 
"Meu pai tentou, durante toda a minha infância, me ensinar a tocar violão, pois as pessoas perguntavam e não entendiam como o filho do Dino não tocava violão; era Jacob do Bandolim, que quase todo sábado ia lá em casa e fazia a mesma pergunta, 'Dino, teu filho não toca violão?', e assim por diante.
 
Quando eu fiz 14 anos, aconteceu um fato que mudou a minha vida e a de muitos, que foi o fenômeno Beatles. Quando eu ouvi o contrabaixo em 'Day tripper', 'I want to hold your hand' e 'Close your eyes', eu fiquei completamente tomado pela idéia de tocar baixo. Eu pegava o violão que meu pai tinha em casa e desafinava as cordas uma oitava abaixo para ficar com o som igual ao do baixo e ouvia tudo que saía de Beatles. Em três meses, sem nunca ter pegado num baixo de verdade, eu já tocava exatamente igual à gravação - nota por nota - tudo no violão do meu pai. Ele se surpreendeu quando, ao chegar em casa, me viu com o violão servindo de contrabaixo. Ele não entendeu nada."
 
Como se pode ver, Dininho não precisou contratar nenhum de professor de contrabaixo. Paul McCartney, sem saber, lhe deu aulas gratuitamente.
 
"Quando eu já era profissional, por volta de 1970, conversando com o Paulinho da Viola, com quem iniciei minha vida profissional, perguntei se ele conhecia alguém que pudesse me ensinar a ler música, pois meu pai tinha desistido, porque ele passava as lições e quando chegava em casa para me perguntar, eu sempre tinha uma desculpa para dar em função de não ter estudado. Então, ele sugeriu que eu fosse estudar com alguém pois, segundo ele, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Paulinho me sugeriu que procurasse a professora Ester Scliar, que dava aulas na Pró-arte e tinha sido professora dele. Assim fiz e estudei na casa dela, em aulas particulares, por mais ou menos seis meses."
 
Com Ester Scliar, Dininho estudou nos métodos utilizados pela Pró-arte.
 
"Mais tarde, seguindo a linha do auto-didatismo, ganhei de meu pai um livro específico de contrabaixo 'Bottesini, metodo per contrabbasso'. Estudei bastante."
 
Deste aprendizado, principalmente em relação ao contrabaixo, o que ficou de mais útil para Dininho foram as "escalas estudadas em todos os tons".
 
Paul McCartney e Paulo Cézar Barros – contrabaixista do grupo Renato e seus Blue Caps – foram figuras decisivas na escolha do contrabaixo por Dininho e neste início de formação. "Após esse pontapé inicial da minha formação, com certeza foi fundamental toda a minha vivência ao lado de meu pai, ouvindo suas gravações, vendo como ele estudava em casa, assistindo aos shows e, principalmente, adequando o meu jeito de tocar baixo ao estilo do violão de 7 cordas tocado magistralmente por ele."
 
Quanto ao auto-didatismo, "90% do que sei foi com esforço próprio, sem a presença de um professor, mas com aprendizado de ouvinte que é o mais importante."
 
Em sua formação musical e, também, em sua vida e carreira profissional Dininho coleciona diversas pessoas como muito importantes para ele. "Além de meu pai, com certeza aprendi muito de música com a pessoa que me introduziu no mundo profissional, Paulinho da Viola. Além dele, convivi com o grande Orlando Silveira em algumas gravações. Outro com quem aprendi e ainda aprendo é Cristóvão Bastos, pois ele, Paulinho, meu tio Jorginho do Pandeiro e eu estamos sempre juntos trabalhando. Outro que quero citar é o grande compositor Elton Medeiros, que foi quem me ensinou tudo em termos de viagens, até na alimentação, pois quando comecei a viajar com Paulinho da Viola eu estava acostumado a comer a chamada comidinha da mamãe e, então, o Elton Medeiros me ensinou a comer as comidas certas nos lugares certos."

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