A avó paterna de Cristina Azuma "cantava muito bem" e era vizinha, em Olímpia, no interior de São Paulo, do compositor Marcelo Tupinambá (1889-1953), com quem fazia saraus lítero-musicais antes de se casar. "Ela morreu com 100 anos e manteve a memória intacta quanto às canções que conhecia, entre as quais muitas folclóricas, cantadas pelos palhaços de circo que, na sua mocidade, eram músicos. Sempre contava histórias e me pedia para acompanhá-la ao violão. Minha avó do lado materno tocava bandolim, mas não a conheci. Na família, só minha prima é musicista; se chama Renata Montanari, toca guitarra elétrica, era do grupo feminino de jazz Kali, e hoje é professora na Universidade Livre de Música, de São Paulo."
Cristina Azuma se lembra que se ouvia muita música em sua casa. "Meus pais acompanharam todo o período dos grandes festivais de música brasileira nos anos de 1960 e 70. Meu pai viajou bastante pelo Brasil e América Latina, trazendo discos que eu devorava."
A tocar e a estudar música Cristina começou ainda na escola primária: "violão de acompanhamento e rudimentos de solo; trocava muitos acordes com minha prima, que também começava."
Em Belo Horizonte, onde morava quando começou a estudar, Cristina teve aulas com o professor Hugo Luís. De volta a São Paulo, teve vários professores: Paulo Porto Alegre, Oscar Ferreira de Souza, Henrique Pinto e Edelton Gloeden, em violão, e Osvaldo Colarusso, em teoria musical. "Fui a primeira aluna a se graduar em violão na Universidade de São Paulo (USP) e, depois, fiz doutorado em musicologia na Sorbonne, em Paris (França)."
Quanto aos métodos de exercícios e livros que seus professores utilizavam, Cristina Azuma lembra-se que "Hugo Luís escrevia os exercícios e os arranjos, clássicos ou populares, durante a aula, que durava a manhã inteira. Mas, ele esqueceu de me ensinar a ler, o que desenvolveu meu lado de ouvir e reproduzir de orelha. Só fui aprender a ler mais tarde. Depois, estudei o repertório tradicional de música erudita e canções de sucesso da MPB com acompanhamento de violão, mais os livros de teoria musical tradicionais."
Desse aprendizado, o mais agradável "eram as conversas, nas quais se aprende muito também" e o mais útil, "a prática de leitura, de arranjo, de escrita e a técnica instrumental."
Cristina não destaca nenhuma pessoa como fundamental em sua formação musical. "Foi um processo muito natural de descoberta e maturação."
Quanto ao auto-didatismo, "sempre mudava de professores, buscando como me expressar na música. A resistência de parte dos meus professores de violão erudito com relação à música popular solada no violão muito me estimulou e afirmou minha vontade de provar que os preconceitos e as barreiras não tinham sentido, em uma época em que não havia muita coisa escrita para o instrumento. Aí, busquei ir atrás dos compositores, tocar e escrever o que era possível. Percebo que, finalmente, aprendi também tocando muito com outros músicos desde cedo, a partir dos meus 14 anos."
Dos músicos com os quais conviveu e convive e que foram importantes em sua formação, Cristina destaca os violonistas e compositores Eduardo Gudin – "que muito me incentivou no início, me ajudando a afirmar minhas tendências mais pessoais" – e Paulinho Nogueira – "meu pai musical, cujo exemplo de humildade e simplicidade sempre me guiou como musicista e pessoa". "E com todos com quem toquei sempre aprendi alguma coisa. Entre eles, Celso Machado me fez descobrir um violão mais percussivo e intuitivo."