Pesquisar músicos:
Conrado Paulino
Conrado Francisco Paulino Bonilla
* 01/03/1960 Buenos Aires, Argentina.
Instrumentista, arranjador, compositor.
emailwebsite

Forma��o

A vida musical de Conrado Paulino começou, por assim dizer, “de ouvido”. “Não tenho parentes músicos, mas tanto meu pai como minha mãe gostavam muito de música e de cantar. Havia um violão em casa porque meu pai tocava um pouco”. 

Assim, a lembrança musical mais antiga de Conrado vem de todos os cantos da casa. “Minha mãe cantava boleros e ouvia gravações de Beniamino Gigli, Enrico Caruso, Mario Lanza, Trio Los Panchos e música sinfônica. Meu pai cantava tangos e assistia a programas musicais na televisão. Também lembro das minhas irmãs mais velhas ouvindo Beatles. Lembro também do meu rádio de pilha. Todo dia na hora de dormir ouvia um programa só de música popular orquestral, como Franck Pourcel, Percy Faith e Paul Mauriat”.
 
Aos 14 anos o adolescente resolveu ter uma relação menos passiva com a música. “Primeiro estudei - muito displicentemente, como bom adolescente - com um professor particular que, tempos depois, soube que era uma figura muito importante no cenário tanguero, chamado José Canet. Mas, na época, eu não sabia da sua importância e alto nível; só queria que tirasse para mim as músicas de que gostava na época. Eu não durei muito como seu aluno. Tempos mais tarde descobri que ele tinha deixado muito material escrito antecipadamente no meu caderno, e graças a isso - e a ele - aprendi a construção das escalas e dos acordes, os intervalos e as progressões harmônicas fundamentais. Essa informação bem organizada que ele deixou foi fundamental na minha formação”.
 
A descoberta determinou os rumos da vida de Conrado. “Assistindo a um concerto de violão, conheci o professor Jorge Molinari. Ele morava em outra cidade e eu gastava horas para tomar aulas com ele, pegando ônibus e trem e caminhando um bocado. Depois, conheci o concertista Roberto Lara, com quem comecei a ter acesso a um repertório clássico um pouco mais complexo”.
 
Problemas particulares obrigaram Conrado a se mudar da Argentina para o Brasil. Ele foi morar em Campinas (SP) e manteve o hábito de estudar música onde houvesse um curso que lhe interessasse. “Na época viajava até São Paulo para fazer o curso de arranjo que Nelson Ayres dava no Conservatório do Brooklin. Posteriormente, já morando na capital, estudei harmonia com Fernando Motta e Amilton Godoy. Com Amilton estudei, também, composição tonal e modal e fiz outros cursos.”
 
Na mesma época, Conrado se interessou por ampliar sua formação intelectual o que ampliou sua percepção musical. “Iniciei meus estudos na área de Pedagogia. Fiz cursos e treinamento para professor com Geraldo de Oliveira Suzigan e Maria Lúcia Cruz no CENFOR. Também assisti a cursos e palestras com nomes como Rubem Alves, Emília Ferrero, Guiomar Namo de Mello, Alfredo Bosi, José Miguel Wisnik e outros, além de ler obras de Piaget, Edgar Willens, Murray Schaeffer, Vigotsky, Howard Gardner”.
 
Ele não apenas lembra os métodos pelos quais estudou música como os tem guardados. “Estudei a série de métodos do Julio Sagreras chamada ‘Lecciones de Guitarra’ (Ed. Hal Leonard), o "Método de Guitarra" de Antonio Cano, que eu acho especialmente agradável. Alguns dos Estudos de Sor (“Complete Sor Studies for Guitar”, Ed. Mel Bay), o excelente livro "Teoria de la Música" de Alberto Williams, o "Treinamento Elementar para Músicos" de Paul Hindemith (Ed. Irmãos Vitale), os prelúdios de Villa-Lobos, "La Escuela de la Guitarra" de Rodriguez Arenas (Ed. Ricordi, 7 vols.) e outros.
 
Conrado escolhe como a pessoa mais importante na sua formação musical o professor que ele só descobriu depois de ter abandonado as aulas, o professor que lhe deixou lições para o futuro, num caderno de música. “Foi o professor Canet. Graças ao material que ele me deixou eu pude ser um músico ao mesmo tempo intuitivo e com bom conhecimento formal. Ele acreditava em mim, mas percebeu que eu não estava pronto ainda para estudar com seriedade”.
 
Para Conrado, o autodidatismo é uma condição natural dos violonistas e guitarristas. “Os violonistas e guitarristas são mais propensos a aprender o instrumento de forma autodidata. O violão é um instrumento que favorece a intuição e atrapalha o raciocínio. Já o piano é exatamente o contrário. Acho que aprendi a maioria dos assuntos na área do jazz e da música popular por conta própria, basicamente tirando músicas de ouvido”.
 
Ele também entende que há um componente de época na necessidade do autodidatismo para os músicos de sua geração. “Minha primeira grande escola foi tirar gravações do Baden Powell de ouvido. Só muito mais tarde tive acesso a material impresso, como os livros de Jamey Aebersold ( Ed. Jamey Aebersold) ou o material da Berklee. Hoje é fácil conseguir, mas era muito difícil até o início da década de 1990. Eu tenho até hoje fitas cassete que são cópia da cópia da cópia da cópia do LP “play-a-long” original que algum privilegiado tinha trazido dos Estados Unidos”.
 
Conrado reserva para as experiências pessoais os valores mais altos de sua formação musical. “Ironicamente, uma das pessoas mais importantes foi o meu colega Fernando Corrêa, ironicamente pelo fato dele ter sido meu aluno. Depois nos tornamos muito amigos e passamos a tocar juntos no duo Cordas Vivas. A experiência de ensaiar diariamente e de estudar intensamente música instrumental foi muito importante, assim como o estilo disciplinado e organizado de estudar de Fernando. Foi importante o trabalho acompanhando Alaíde Costa, uma cantora maravilhosa e pessoa íntegra. Outra pessoa com quem tive a oportunidade de tocar em inúmeras ocasiões e aprender com sua experiência foi o saudoso Luiz Chaves, do Zimbo Trio.Também há colegas com quem não tive tanta convivência e no entanto, por motivos diversos, foram importantes, como Vinicius Dorin, Amilton Godoy, Toninho Pinheiro e Hector Costita”.

Contato

Todos os direitos reservados (c) 2008 - 2009
Banco de Música Serviços de Comunicação e Cultura Ltda.