O pai de Celso Woltzenlogel tocava flauta e a irmã, piano. Desde menino, Celso freqüentava os saraus musicais promovidos em casas de amigos de sua família e estas são suas lembranças musicais mais antigas, juntamente com as óperas que sua avó paterna ouvia.
Celso Woltzenlogel começou a estudar aos 12, 13 anos, tocando flauta de lata.
"Aos 14 anos, ganhei uma flauta transversal e comecei a aprender com um musico amador, grande cientista, Dr. Jayme Rocha de Almeida. Com meu pai tive algumas aulas, mas santo de casa não faz milagres."
Celso estudou pelo método de flauta de Rafaello Galli (1819-1889).
O incentivo que recebeu de sua mãe para que tocasse flauta foi decisivo na formação de Celso Woltzenlogel. "Foi graças a ela que, um dia, me fez tocar na flauta de meu pai. Em 1958, ganhei o concurso nacional Jovens Talentos Musicais, instituído pelo Ministério da Educação com o objetivo de incentivar jovens músicos a estudar instrumentos de orquestra."
O concurso Jovens Talentos Musicais foi idealizado pelo maestro e compositor Camargo Guarnieri que, naquela época, era assessor cultural do Ministro da Cultura, Clóvis Salgado. Ao vencedor do concurso era concedida uma bolsa de estudos.
"Como bolsista, mudei-me para o Rio de Janeiro, onde estudei com o grande mestre Moacyr Liserra na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde me diplomei com a Medalha de Ouro, em 1964."
O auto-didatismo, tão comum na formação dos músicos brasileiros, não fez parte da trajetória de Celso como estudante de música.
"Não tive esse problema, pois tive sempre excelentes professores."
De fato, Celso Woltzenlogel aperfeiçoou sua formação musical em Paris, onde teve aulas com Alain Marion, Jean-Pierre Rampal e Nadia Boulanger e, também, em Boston, no New England Conservatory of Music.
Portanto, quando solicitado a nomear quais entre os músicos com quem conviveu e convive são os mais importantes para o músico que ele é hoje...
"Tive a sorte de conviver com as duas áreas da música: clássica e popular.
No clássico, toquei muitos anos como primeiro flautista nas Orquestras Sinfônica Brasileira e Sinfônica Nacional onde conheci grandes músicos.
Minha ida a Paris, como bolsista do governo francês, me proporcionou a oportunidade de estudar e conviver com três gigantes da música, os flautistas Jean-Pierre Rampal e Alain Marion e a célebre professora de composição do Conservatório de Paris, Nadia Boulanger.
No campo da música popular, fui muito requisitado nos estúdios de gravação, tendo gravado com os maiores nomes da musica popular brasileira. Minha grande escola foi a Orquestra da Rede Globo de TV, onde convivi com os maiores músicos populares do Rio de Janeiro."