Formação
“Eu comecei tocando sino, porque era sacristão. Meu pai queria que eu tocasse clarineta, como meu avô, que era maestro da banda de Princesa Isabel. Mas como não tinha clarineta em casa e tinha o violão de meu pai, comecei a tocar violão [aos 12 anos] com a posição invertida, sem inverter as cordas e, ainda, com o violão deitado sobre as pernas.”
Naquela casa musical, havia ainda nove irmãos, cada qual dedicado a um instrumento diferente. E existia o hábito de realizar saraus dos quais participavam os melhores músicos da região.
Na igreja, onde tocava os sinos, Canhoto aprendeu alguns rudimentos de teoria musical e diz-se que neles executava o frevo “Vassourinha”.
Canhoto, que escreve com a mão direita, por algum motivo inalcançável insistia em tocar violão “ao contrário”, a ponto de o próprio pai desistir de ser seu professor. Tocar ao contrário significa usar um violão normal como se fosse um canhoto, deixando o encordoamento na mesma posição – ou seja, na mão direita, o que se tocava com o dedo polegar passa ser tocado com o mindinho, e vice-versa; na mão esquerda, as cordas graves ficam viradas para baixo, e as cordas agudas, para cima.
Aos 16 anos, ganhou seu próprio violão, porém aí já havia desenvolvido toda a sua técnica de tocar ao contrário, e não voltou mais atrás. E sempre autodidata.
Era assim, também, que Canhoto da Paraíba tocava o cavaquinho e o bandolim, dois outros instrumentos que dominava.