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Baden Powell
Baden Powell de Aquino
* 06/08/1937 Varre e Sai, RJ, Brasil.
† 26/09/2000 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, compositor.
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Forma��o

A música vinha de pelo menos duas gerações na família de Baden Powell. Seu avô paterno era músico e maestro. Seu pai, Lino de Aquino, tocava tuba e violino, e arranhava o violão. Se dependesse dele, Baden teria sido violinista. 

Vivendo em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, desde criança Baden se acostumou a escutar os saraus que seu pai organizava em casa, com serestas e choros. E, também, a participar dos blocos de carnaval que o pai promovia – puxados ao som do violino !
 
Seu Lino, ou Seu Tique, como era conhecido, foi, mesmo a contragosto, seu primeiro professor de violão, a partir dos seis anos. Porém não se passou muito tempo até que ele percebesse que o filho tinha fôlego para ir longe, e procurasse por um professor mais qualificado:  Meira (Jaime Florence).
 
Meira me ensinou tudo de violão. Eu conheci o Meira numa festinha na casa de minha tia, devia ter meus 5, 6 anos de idade, por aí. Meu pai estava tocando, fazendo um baile, aquele baile familiar, e o Meira também foi. Ele era professor de um tio meu [...] Comecei a estudar com ele aos 7 anos de idade. Até os 13 anos, fiz o curso completo com o Meira [...] Na casa do Meira, eu tinha aula de violão, passava o método de violão, chegava lá às 9 horas da manhã e até as 11 era aula de música.
 
“Depois das 11 horas, ele fazia mesa redonda e, às vezes, estavam  Jacob do BandolimDino do Violão, e tudo. Eu conheci  Pixinguinha na Rádio Tupi, apresentado por Meira, que tocava no Regional do Pixinguinha. Às vezes, Pixinguinha ia à casa de Meira também. E era assim, uma mesa redonda, quer dizer, não tinha aquele negócio como tem hoje, de escrever cifra. Era assim: ‘dá um dó maior aí’. E você tinha que sair acompanhando. Se errasse, você não era bom. [...]
 
“Já aos 10 anos eu estava estudando música clássica e tinha aquelas peças de Agustín Barrios, que foi um grande violonista clássico e tinha uma mão descomunal, tinha uma abertura, e minha mão era pequenininha, não dava. Eu dava um salto para poder tocar as coisas do Agustin Barrios.”
 
Meira tinha qualidades raras como professor, algumas das quais Baden menciona no depoimento acima, dado a Myriam Taubkin. Sua visão do ensino do violão era extremamente moderna: apoiava-se na técnica clássica, pelo método de Dionisio Aguado, “La Escuela de la Guitarra”, combinado com a prática de acompanhamento de música popular e de choro, e com a prática de conjunto e improvisação.
 
Ficou com Meira até os 15 anos, quando o mestre o encaminhou à Escola Nacional de Música, onde não ficou muito tempo pois, desde jovem, Baden já iniciara sua carreira musical. Meira foi, de fato, seu único professor de violão.
 
A aprendizagem, entretanto, não foi interrompida. No início da década de 1960, foi aluno de Moacir Santos e de Guerra-Peixe, com os quais estudou harmonia e composição. Nesses estudos e nessa convivência estão alguns dos ingredientes que levaram à criação dos seus afro-sambas.  

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