Forma��o
Azael Rodrigues é o primeiro músico de sua família e percebeu a importância da música em sua vida quando, ao chegar de um acampamento de férias e se sentir deslocado e sem turma, ganhou um rádio de seu tio. “Meu humor ficou outro.”
Aos 11 anos de idade, Azael começou a tocar rock nacional e bossa nova no violão.
“Comecei os estudos de bateria com o professor João Rodriguez Ariza, o Chumbinho, que dava aulas no CLAM (n. e.: Centro Livre de Aprendizagem Musical, criado e mantido pelos músicos do Zimbo Trio em São Paulo). Depois, tive aulas com o professor Dinho Gonçalves. No sentido de ampliar meus conhecimentos comecei a estudar percussão erudita com o professor Cláudio Stephan, primeiramente no Conservatório do Brooklin e, depois, na USP no curso de Música da Escola de Comunicações e Artes. Tive aulas de percussão indiana com o professor Madhukar Khotare, em Londres, e aulas de improvisação com o professor Bob Moses, em Nova York.”
Entre os métodos de ensino de que se utilizou, Azael cita “Realistic Rock” (Ed. Alfred), de Carmine Appice, e “Advanced Technics for the Modern Drummer” (I.M.P.), de Jim Chapin.
“Com cada professor aprendi, de uma forma ou de outra, a lidar com o mundo. Cada um deles me deu feedback para prosseguir no caminho do aprimoramento pessoal.”
No que diz respeito ao auto-didatismo, Azael diz:
“Na busca da música pessoal, com assinatura, lembro de conversar longamente com meu parceiro Felix Wagner do Divina Increnca a respeito de não usarmos qualquer instrumento para o início de uma composição. Estava indo em busca do ouvido interno, de não depender da técnica, mas da imaginação.O pensamento aliado à vontade podem ser decisivos. Comparo o músico a um cientista na busca para o desenvolvimento de sua pesquisa.”
Azael Rodrigues cita, entre os músicos com os quais conviveu e convive, aqueles que foram especialmente importantes em sua formação e o que aprendeu com cada um:
Toots Thielemans: o lirismo do timbre em uma frase bem executada, feeling;
Jorge Benjor: celebração, harmonia entre as pessoas, groove;
Nelson Ayres: sistematização, sutileza no tocar, cores musicais;
Othello Molineaux: atenção, audição e humildade;
Bob Moses: ponto de convergência ao improvisar, o jeito Nova York de ser;
Luizão Maia: o jeito carioca de pensar, uma eterna amizade, a parceria que não se conversa, que brota na música;
Cláudio Roditi: seriedade com extrema leveza;
Ivo Perelman: trabalhar arduamente pela difusão de uma idéia e ver um conceito que ajudei a difundir ser expandido por outro. Convidei o Ivo, em 2009 para uma jam session; bateria e sax. Tocamos 45 minutos sem parar. ‘Conheci o free através do Divina’, disse ele;
Christiano Rocha: escreveu um livro que já se tornou referência no estudo da bateria brasileira (n. e.: “Bateria Brasileira”, Ed. do Autor). Ele toca. Responsabilidade. Me citou como influência. Ele é influência para mim;
Ray Charles: pude fazer uma entrevista exclusiva com ele para a revista Keyboard e observar sua forma de atuação quando dos shows feitos no Bourbon Street em São Paulo (era produtor da casa na época). Como manter vivo o interesse de uma banda pela sua música. O dom do timbre.”