Formação
Os estudos começaram aos 14 anos em sua cidade natal. Como tantos outros músicos de Pernambuco, onde o frevo impulsiona a tradição dos metais, Airton Barbosa foi atraído pelo saxofone e, em pouco tempo, já participava da banda da cidade.
O Brasil vivia um tempo de efervescência econômica e cultural, com o governo de Juscelino Kubitschek. Uma das iniciativas do então Ministério da Educação e Cultura, chamada “Jovens Talentos”, tinha como objetivo formar e aperfeiçoar jovens instrumentistas que pudessem filiar-se às grandes orquestras sinfônicas do Sudeste e do Sul. Airton inscreveu-se, e foi o único nordestino selecionado. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1960, e passa a estudar fagote com Noel Devos (grande músico francês radicado no Brasil desde 1952, primeiro fagote da Orquestra Sinfônica Brasileira, na qual atuou durante mais de 30 anos).
“O secretário de Juscelino Kubitschek criou um curso especial para talentos: um grupo de músicos viajava pelos estados para avaliação; os estudantes se apresentavam com qualquer instrumento, mas mostravam o talento. Airton Barbosa fez este concurso com sax, lá em Pernambuco. Foi aprovado logo, ele tinha muito jeito. Isso aos 16 anos, não tinha nem o ginásio. O Governo ofereceu uma bolsa muito boa a esses escolhidos, eram entre 7 e 10. Airton se dedicou completamente ao fagote, de tão boa que era a bolsa. No fim do ano eles tinham que tocar uma sonata com piano. E dois anos depois com orquestra.” (Noel Devos)