Formação
A história musical de Adamo Prince começa bem antes de seu nascimento, com outro Adamo, nos tempos da imigração italiana. “Meu avô tinha uma banda na Itália. Ele tocava vários instrumentos dos naipes de madeiras e metais. Também escrevia arranjos para esta formação. Não cheguei a conhecê-lo. Quando nasci, ele já havia falecido, aqui no Brasil, mas meu nome é uma homenagem a ele”.
A primeira lembrança musical de Adamo não poderia ser mais típica. “Toda minha família é italiana e fazia festas nas quais os ‘patrícios’ que emigraram para cá se reuniam para tocar, cantar, comer, beber vinho e contar estórias das suas províncias e da segunda guerra mundial”.
“Comecei a tocar justamente na ocasião das reuniões dos italianos. Ganhei um pequeno acordeon e minha mãe me ensinava as cançonetas, as tarantelas etc... Eu tocava de ouvido. Ela cantava. Depois, minha mãe me levou para uma academia onde comecei a estudar acordeon ‘de verdade’ e música em geral”.
Adamo teve o que podemos chamar de educação musical farta: estudou acordeon “de verdade” com Wilson Fortunado Dantas. De violão, teve aulas com Juarez Maia, Odair Assad, Hélio Delmiro e Lula Galvão. Aprendeu teoria e harmonia na Academia de Música Lorenzo Fernandes. Prosseguiu os estudos de ritmo e som, leitura e percepção, harmonia e orquestração com Ian Guest. “Recentemente abandonei o curso de graduação em violão na UFRJ - cursei até o oitavo período - faltando algumas cadeiras a completar”.
Nesse longo aprendizado ele utilizou os métodos de Emilio Pujol, "Escuela Razonada de la Guitarra" (Ed. Ricordi); Tárrega, “The Francisco Tárrega Collection” (Ed. Hal Leonard); Aguado, "50 Estudios Elementales” (Ed. Ricordi); Fernando Sor, “Complete Sor Studies for Guitar” (Ed. Mel Bay). “Aprendi solfejo e percepção do som pelo Método Kodaly. Eu mesmo escrevi o “Método Prince - Leitura e Percepção - Ritmo e A Arte de Ouvir” para o estudo do ritmo (n.e.: o “Método Prince” é dividido em 3 volumes, todos publicados pela Lumiar Editora). Para harmonia e orquestração, os livros do Berklee College of Music. E sempre ouvi gravações dos grandes mestres da composição ou improvisação”.
“Creio que tudo que aprendemos, de uma forma ou de outra, tem sua utilidade. Mas criar e compor é o que mais me agrada e faz com que todos os meus processos de aprendizado tenham sentido”.
Ao responder sobre a pessoa decisiva em sua formação, Adamo não escolhe alguém das suas relações pessoais, mas sim o autor de um método. “Zoltan Kodaly foi um divisor de águas na minha formação musical, porque a partir de sua metodologia pude ter amplo acesso à música, ainda que sem instrumentos à mão.”
Sobre o auto-didatismo, Adamo considera que é o princípio de tudo em sua formação. “Digamos que tudo no começo aprendi sozinho, e posteriormente aperfeiçoei com professores”.