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Abdallah Harati
Abdallah Ibrahim El Harati Júnior
* 03/08/1974 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

"Em casa, não me lembro de um dia em que minha mãe não estivesse cantarolando ou escutando música. E com avós seresteiros, não tinha como escapar da boa música brasileira. Meu avô e meu padrasto tocam violão; os tios e primos, uns são músicos profissionais, outros amadores; minha avó e mãe, cantoras. Na família, a qualidade da música sempre foi primordial."  

Algumas das lembranças musicais mais antigas de Abdallah Harati são as serestas, sambas, valsas e choros, e sua avó cantando "Rosa", de Pixinguinha e Otávio de Souza, acompanhada por seu avô ao violão. "Dilermando Reis era obrigatório em casa, Jacob do Bandolim e Noel Rosa foram compositores presentes ao longo de toda a minha infância."
 
Seus estudos musicais começaram aos seis anos, com um curso de musicalização na flauta doce. Passou para o piano e, aos oito anos, já tocava um pouco de violão, junto com seu avô, Nagib Simão. "Meu primeiro mestre foi, sem dúvida, ele, com quem aprendi os primeiros acordes e a ‘tocar na roda’. Depois, estudei no Conservatório de Música de São José dos Campos (SP), cidade natal de minha família."
 
Abdallah Harati estudous com Paulo Vilaça em Bauru, SP, com Ulisses Rocha em São Paulo e, mais tarde, com Mauricio Carrilho, teve aulas dedicadas mais especialmente ao choro.
 
"Não posso deixar de comentar as excelentes aulas de levadas com Luciana Rabello e o aprendizado do dia-a-dia do choro com Álvaro Carrilho. Também passei um tempo na Espanha, mais precisamente em Granada, estudando flamenco na escola Carmen de las Cuevas e, em Boston, Estados Unidos, na Berklee College of Music, dedicando-me ao jazz."
 
Seus estudos incluem o método “Iniciação Ao Violão” (Ed. Ricordi – 2 Volumes), de Henrique Pinto, os Estudos de Villa-Lobos, diversos livros de harmonia editados pela Berklee, além de "How to Improvise" (Advance Music), de Hal Crook, e "Thesaurus of Intervallic Melodies" (Fagotto Books), de Jerry Bergonzi. Estudou muita técnica de violão flamenco, não organizada em livros.
 
Outro aprendizado que Abdallah Harati considera especial foi o da escuta. "É importante estudar. Livros, professores, discos, aulas e concertos, mas o mais importante é tocar com outras pessoas. Ter a habilidade de trazer a música dentro de si e influenciar as pessoas ao mesmo tempo em que se é influenciado. Saber acompanhar alguém, espontaneamente. Treinar o ouvido. Escutar mais do que ser escutado. A música faz paralelos com a matemática, mas não se deve esquecer de que é arte."
 
De maneira autodidata, Abdallah Harati desenvolveu uma forma de estudar que compreende "escutar gravações que mais me fascinam e tentar tocar igual; estudar o repertório, gravar para ver como ficou e apresentar em público para ver o que funciona e o que não funciona."
 
Abdallah Harati foi aluno da Escola Portátil de Música, no Rio de Janeiro. Dos músicos com quem conviveu, os mais importantes para o músico que veio a se tornar foram Raphael Rabello, "por tudo que fez tão perfeitamente", Dino 7 Cordas, "por ‘criar’ a linguagem do violão de 7 cordas", Baden Powell, "por ser tudo o que foi e é até hoje", Mauricio Carrilho, "por me ensinar o significado do violão no choro", e Luciana Rabello, "por me ensinar o que é o choro".

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